Erdogan promete eliminar "os vírus" no Estado e já fez mais de 6000 detenções

O Presidente turco apelou também aos seus partidários para continuarem nas ruas a manifestar o apoio ao regime

O Presidente turco, Recep Erdogan, prometeu este domingo eliminar "os vírus de todas as instituições do Estado", ao dirigir-se a uma multidão de simpatizantes depois da tentativa fracassada de golpe de Estado de sexta-feira. "É um vírus, como um cancro, que se propaga a todo o Estado", afirmou Erdogan na mesquita de Fatih, em Istambul, numa cerimónia em memória das vítimas dos militares rebeldes.

Desde que a tentativa de golpe de estado foi controlada já foram detidas mais de 6000 pessoas e ontem o primeiro-ministro falou mesmo na possibilidade de alterar a lei para permitir a pena de morte para os golpistas. Também ainda no sábado foram afastados quase três mil magistrados, incluindo pelo menos um do Supremo Tribunal.

Apesar dos apelos e alertas internacionais, de Angela Merkel a François Hollande, que lembraram que os golpistas devem ser julgados respeitando as regras do "Estado de direito", Erdogan têm insistido no discurso da limpeza.

De microfone na mão, o Presidente turco apelou também aos seus partidários para continuarem nas ruas a manifestar o apoio ao regime. O vírus de que Erdogan fala são os apoiantes do religioso Fethullah Gülen, que vive nos EUA - a Turquia já pediu a sua extradição.

Por outro lado, Fethullah Gülen, que condenou o golpe e rejeita qualquer acusação de cumplicidade, admitiu hoje a possibilidade de ter acontecido um "falso golpe" para que o regime possa amplificar as acusações contra os simpatizantes do Hizmet, em declarações hoje publicadas no jornal britânico The Guardian.

Já ontem François hollande tinha alertado que o fracasso da tentativa de golpe de Estado na Turquia propiciará "sem dúvida" um período de repressão no país. "Um certo número de militares vão ter de responder pelo que fizeram e pelo que não fizeram", disse.

A Turquia foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado na sexta-feira à noite. O último balanço aponta para 161 mortos entre civis e forças leais ao presidente Recep Erdogan, 1.440 feridos e 2.839 militares revoltosos detidos.

Yildirim adiantou que 20 militares revoltosos morreram no decurso da tentativa de golpe de Estado, números que contrariam o balanço inicialmente avançado pelas Forças Armadas, que apontavam para 104 mortes entre aqueles militares, abatidos pelas forças leais ao presidente Erdogan.

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