"Cuba será sem dúvida um grande legado do presidente Obama"

Para o embaixador dos EUA em Portugal, Robert Sherman, a primeira visita de um presidente americano a Cuba em 90 anos "assinala o início de melhores relações e mais empenho entre dois países e dois povos".

Obama chegou a Cuba para a primeira visita de um presidente americano em mais de 80 anos. Que significado tem esta visita?

A visita do presidente a Cuba é um passo significante em frente na normalização da relação entre EUA e Cuba. Será a primeira visita de um presidente em funções em 90 anos e assinala o início de melhores relações e mais empenho entre dois países e dois povos. A viagem continua o processo acelerado a 17 de dezembro de 2014 com o anúncio de que EUA e Cuba iriam normalizar relações, tomando passos para melhorar as vidas do povo cubano, dar novas oportunidades a maior envolvimento entre americanos e cubanos e para construir uma relação bilateral que permita a cooperação numa série de assuntos com o governo cubano. De futuro queremos aprofundar este envolvimento, apelar aos cubanos para expressarem as suas opiniões, encorajar empreendedores a criarem negócios, encorajar o povo cubano a interagir com o mundo através de tecnologias de informação e reforçar as já fortes relações familiares e de afeto entre os povos de ambos os países.

A aproximação a Cuba será um dos maiores legados de Obama?

O presidente Obama terá muitos e bons legados. Sobre Cuba, ele já disse várias vezes que a velha estratégia de tentar isolar o país durante mais de 50 anos, claramente não funcionou. A sua política de envolvimento, incluindo mais comércio, mais viagens e relações entre americanos e cubanos, é a sua visão da melhor forma de ajudar a criar oportunidades e acelerar o progresso para o povo cubano. Este é verdadeiramente uma mudança histórica, e deve ser vista como um grande passo para uma verdadeira mudança com o povo cubano. Será sem dúvida um grande legado do presidente Obama .

Apesar dos esforços de Obama, o embargo continuará em vigor enquanto os republicanos dominarem o Congresso. O que será preciso fazer para lhe pôr fim?

O grupo de pessoas que viaja com Obama para Cuba mostra que este é um assunto que recolhe cada vez mais apoio bipartidário. Do governo, vão o secretário [de Estado, John] Kerry, o secretário [da Agricultura, Tom] Vilsack e a administradora para as Pequenas Empresas Maria Contreras-Sweet. Também esperamos uma significativa delegação de membros do Congresso. Uma delegação bipartidária. A presença de membros do nosso Congresso passa a mensagem de que há apoio crescente para abrir as relações e levantar o embargo ou partes dele.

Obama disse esperar que o próximo presidente acabe com o embargo. Mas se for republicano, podem ter sido esforços vãos?

Não podemos especular sobre as políticas de nenhum futuro presidente, exceto para dizer que qualquer futura política irá sem dúvida continuar a incluir pressão sobre o governo cubano para melhor os direitos humanos e a liberdade de expressão. No entanto, é preciso notar que a política de Obama para Cuba tem grande apoio, tanto nos EUA como em Cuba. O povo e as empresas americanos estão cada vez mais a tirar vantagens das novas oportunidades para se envolverem com o povo cubano. E temos políticas que estão a ser implementadas para acelerar as viagens, trocas comerciais e remessas de familiares - todas estas coisas deverão acelerar nos próximos anos. Esperamos que qualquer administração que se siga a Obama já tenha visto os resultados positivos desta política de envolvimento, especialmente o povo cubano.

O presidente Obama prometeu falar de direitos humanos no encontro com Raúl Castro. O que vão pedir os EUA?

Como disse o secretário Kerry, o futuro de Cuba deve ser decidido pelos cidadãos cubanos. Os EUA continuam a acreditar que Cuba deve ser pacífica, próspera e democrática, e damos eco às preocupações sobre direitos humanos levantados pela sociedade civil cubana. O respeito pelos direitos humanos é um dos mais antigos interesses nacionais da nossa nação e naturalmente está no centro da nossa política para Cuba. Os direitos humanos em Cuba continuam fracos e essas condições não vão mudar do dia para a noite. Mas os EUA vão apelar ao governo cubano para que liberte os presos políticos, permita avaliações independentes por observadores independentes das condições em Cuba, levante as restrições às viagens ainda impostas a certos grupos de cubanos e ratifique instrumentos internacionais para os direitos humanos. Os EUA vão continuar a falar contra violações e abusos dos direitos humanos quando ocorrem e a defender respeito pela liberdade de expressão e reunião pacífica.

As embaixadas reabriram, as restrições para viajar aligeiraram, etc... Quais serão os próximos passos?

Ainda esta semana os EUA anunciaram outra série de alterações legais para facilitar as viagens e comércio com a ilha de forma a incluir a hipótese de viagens pessoais para os americanos, aumentar o acesso ao dólar nas transações financeiras em Cuba e aumentar a capacidade de os cubanos receberem salários fora da ilha. Acreditamos que todas estas medidas dão mais espaço, mais ligações e mais envolvimento para melhorar as vidas do povo cubano. O objetivo da política de Obama com Cuba é simples: melhorar as vidas dos cubanos e fomentar os interesses dos EUA.

Não está na agenda um encontro entre Obama e Fidel Castro. O ex-líder cubano ainda é um espinho nas relações entre os países?

O presidente Obama vai ter um encontro bilateral com Raúl Castro. Esta será uma oportunidade para os EUA avaliarem o progresso na normalização das relações, para discutir sobre as áreas em que os nossos governos têm conseguido iniciar uma cooperação bilateral de nosso interesse mútuo e para ser muito sinceros quanto às áreas em que discordamos, como as práticas em relação aos direitos humanos em Cuba que nos têm preocupado e o nosso apoio aos valores universais em Cuba e no mundo. Assuntos regionais, incluindo o apoio de Cuba, e dos EUA, ao processo de paz na Colômbia também serão discutidos. O presidente terá oportunidade de contactar não só com o governo mas também com o povo cubano, com sectores diferentes da sociedade cubana. Poderá falar diretamente com os líderes cubanos, mas também com o povo da ilha.

A primeira-dama Michelle Obama e as filhas também visitam Cuba. A nova geração é crucial para normalizar relações?

Em Cuba, no âmbito da iniciativa Let Girls Learn, Michelle Obama vai falar com alunas do liceu cubanas. Em Havana, a primeira-dama vai conversar [hoje] com universitárias cubanas, algumas das quais estudaram nos EUA. E nessa conversa, a senhora Obama vai colocar questões a estas estudantes que foram enviadas para o Discovery Education acerca da vida em Cuba e sobre as trocas que pode haver entre os nossos países.

Se for um dia a Cuba, o que trará?

Memórias dos cubanos a aproveitar liberdades fundamentais, otimistas em relação a um futuro melhor, o fim da demonização dos EUA e uma relação adequada a dois países geograficamente próximos e com numerosas ligações.

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