Enfermeiro português salva jovem no atentado de Londres

Um enfermeiro português a viver em Londres estava num dos restaurantes alvo do ataque terrorista de sábado à noite. Prestou os primeiros socorros a uma jovem que foi esfaqueada

Carlos Pinto, enfermeiro em Londres, estava no sítio errado à hora certa no sábado à noite. Jantava no restaurante El Pastor, no mercado de Borough, alvo de ataque, e prestou os primeiros socorros a uma jovem que foi esfaqueada no peito.

Uma rapariga com 17, 18 anos, cálculos de Carlos Pinto, foi ferida quando as pessoas começaram a tentar fugir, relata ao JN. O atacante deixou-lhe uma marca profunda no tórax. A jovem terá perdido cerca de meio litro de sangue.

"Ainda custa a acreditar em tudo o que se passou", escreveu, na sua página no Facebook, doze horas depois dos acontecimentos. "Um jantar normal entre amigos acaba num ataque sem escrúpulos. Felizmente estamos todos bem e a sensação melhor é ter ajudado a ficarem bem", prossegue.

O enfermeiro, que trabalha numa unidade de cuidados intensivos em Londres, estava com um grupo de amigos. Entre eles, outra enfermeira, que não quis ser identificada, que também ajudou a jovem. Pediram gelo e toalhas para fazer compressas e estancar a hemorragia e fita-cola castanha, de colar caixas, para selar a ferida. A vítima estava muito fraca, Carlos admite que pudesse ter o pulmão perfurado.

Esteve a metros de um dos três atacantes. Descreve um homem de pele escura e barba negra, à porta do restaurante, impedindo a saída de clientes e gritando. "Só me lembro de ver a boca dele a mexer muito", recordou o enfermeiro, natural de Constantim, Vila Real.

A história é contada também na BBC, vista pela perspetiva do companheiro de Carlos Pinto, Giovanni Sagristani. "Ele fez pressão na ferida", conta, relatando como improvisaram maneira de conter a hemorragia. "Mantiveram-na consciente", diz, citado pela BBC. "Teve muita sorte em tê-lo ali."

Outras pessoas que se encontravam no El Pastor empurraram o atacante para a rua, atirando-lhe cadeiras e garrafas. .Uma vez na rua, o pessoal do restaurante desceu uma porta de segurança e fechou toda a gente dentro do restaurante na Stoney Street.

"Após um momento inicial de pânico, toda a gente tentou ajudar a rapariga e manteve-se calma. Ficámos todos nas traseiras do restaurante. Havia tiros na rua e não sabíamos o que se passava", continua Sagrastani. Calcula que os paramédicos demoraram duas horas a entrar.

As mesmas duas horas descritas por Carlos Pinto ao JN. Não sabe se demoraram tanto porque sabiam que havia enfermeiros no restaurante ou se havia gente em pior estado.

Não se sente um herói, agiu "por instinto", conta ao JN. Só no dia seguinte, tomou consciência do que se tinha passado. "Sinto-me pior do que estava ontem", afirma ao jornal.

Uma vez na rua, confessa que sentiu mais medo depois de ter saído do El Pastor. "Fomos tratados com muita agressividade, principalmente verbal, até perceberem que éramos vítimas e não os terroristas", afirma.

Depois de deixar o restaurante, sem escolta policial, o grupo caminhou cerca de 30 minutos. Carlos e os amigos alugaram uma carrinha e levaram a casa as pessoas que tinham os bens pessoais para trás. A conta chegou às 180 libras (220 euros), dinheiro que não lamentam ter gasto. "Fizemos aos outros o que gostaríamos que nos fizessem".

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