Empresa chinesa envolvida na produção ilegal de vacinas declara falência

Uma firma chinesa, multada em 9,1 mil milhões de yuans (820 milhões de euros) por produção ilegal de vacinas contra a raiva, declarou hoje falência, na sequência do maior escândalo de saúde pública da China dos últimos anos.

Em comunicado, a Changchun Changsheng Life Sciences Ltd indicou que um tribunal declarou a empresa como insolvente, decisão que deixa automaticamente de obrigar ao pagamento de dívidas.

Além de ter sido multada, a empresa perdeu as licenças de produção de vacinas, em 2018, num dos maiores escândalos de saúde pública na China nos últimos anos, mencionado mesmo como o maior escândalo de saúde pública nos últimos anos na China, de acordo com o Expresso.

No ano passado, uma investigação à Changsheng confirmou que a empresa recorreu a material fora de prazo no fabrico de vacinas contra a raiva para uso humano, e desde pelo menos 2014 que a firma não registava corretamente as datas ou os números de série dos produtos.

Os reguladores acrescentaram que a empresa destruiu registos para ocultar as irregularidades.

A raiva continua a ser endémica em algumas partes da China.

Informações de que as autoridades não agiram imediatamente apesar das suspeitas de que a empresa teria falsificado registos de produção originaram protestos da população.

Já em 2016 mais de 130 pessoas tinha sido detidas na China, num escândalo de venda ilegal de vacinas fora de validade e armazenadas sem condições. Em 2010 foram vendidos ilegalmente 25 tipos de vacinas diferentes: polio, raiva, hepatite B e gripe, entre outras -, fora de validade ou que foram armazenadas sem as condições necessárias, no valor de mais de 570 milhões de yuan (78 milhões de euros).

Em 2008, um outro escândalo de saúde pública na China resultou na morte de seis crianças e danos para a saúde de 300 mil, devido a leite em pó contaminado com melamina.

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