Veneza em estado de emergência. Praça de Marcos fechada aos turistas

Nova maré alta atinge a cidade italiana, embora de forma menos grave do que na terça-feira.

As sirenes ecoaram em Veneza nas primeiras horas da manhã a alertar a iminência da maré alta, e a cripta debaixo da Basílica de São Marcos acabou rapidamente inundada.

Veneza voltou a ser afetada por níveis de água excecionalmente elevados na sexta-feira, poucos dias depois de a cidade ter sofrido a pior inundação em mais de 50 anos. A praça central de São Marcos ficou submersa e foi fechada aos turistas, enquanto as lojas e hotéis foram mais uma vez invadidos pelas águas.

As autoridades disseram que a maré alta atingiu um pico de 154 centímetros, um pouco abaixo do esperado e abaixo do nível de 187 cm alcançado na terça-feira, a segunda maior maré alguma vez registada em Veneza.

Ainda assim, a cidade que recebe 36 milhões de turistas por ano ficou 70% submersa, o que leva a nova operação de limpeza em grande escala. "Estamos nesta emergência há dias e não aguentamos mais", desabafou o veneziano Nava Naccara à Reuters.

Outros demonstraram fleuma. "Eu vivo disto, que mais posso fazer?", interrogou-se Stefano Gabbanotto, dono de um quiosque de jornais, à AFP.

Os turistas na cidade que se afundou 30 centímetros nos últimos cem anos mostram-se divididos. Há quem veja as inundações como uma "aventura" e uma "boa experiência", como os noivos Jay Wong e Sabrina Lee; mas há quem se inquiete com o que testemunha. "É estranho. Os turistas tiram fotografias mas a cidade sofre", comenta a austríaca Cornelia Litschauer.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro Giuseppe Conte visitou a urbe e o governo italiano declarou estado de emergência, alocando 20 milhões de euros para enfrentar os danos imediatos.

Porém, o presidente da câmara Luigi Brugnaro previu na sexta-feira que os custos seriam muito mais elevados. "No outro dia Veneza foi destruída. Estamos a falar de danos que totalizam mil milhões de euros", disse Brugnaro. "Este é um estado de emergência, mas estamos a geri-lo".

O autarca culpou as alterações climáticas pelo aumento constante das inundações com que a cidade teve de lidar nos últimos anos, com o nível médio do mar estimado em mais de 20 cm acima do que era há um século, e que deverá aumentar muito mais.

Depois das cheias de sexta-feira, os meteorologistas previram marés de até 110-120 cm durante o fim de semana. Em condições normais, as marés de 80-90 cm são vistas como altas, mas controláveis.

Grupos de voluntários e de estudantes chegaram ao centro da cidade para ajudar a limpar o lixo, enquanto as escolas permaneceram fechadas, como aconteceu durante a maior parte da semana.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG