"El Chapo" está a ficar "paranóico"

Líder do cartel de Sinaloa passa 23 horas fechado na sua cela. Advogado diz que Guzmán começa a esquecer-se de coisas e que isso afeta a sua defesa

Eduardo Balarezo, advogado do narcotraficante mexicano Joaquín Guzmán Loera, mais conhecido como "El Chapo", revelou que o seu cliente, que aguarda o julgamento que o poderá condenar a uma pena de prisão perpétua, passa 23 horas por dia isolado numa cela e que "está mal" e a ficar "paranóico".

Esta segunda-feira assinalam-se dois anos da recaptura de "El Chapo" e é o primeiro aniversário da sua entrada numa cadeia dos Estados Unidos, para onde foi enviado em final de janeiro do ano passado. Desde então, vive isolado numa cela com um chuveiro, uma sanita e uma pequena janela na parte superior do cubículo. De acordo com o seu advogado, está mais magro e tem "um olhar perdido".

"El Chapo, de 63 anos, está mal, não está incapacitado, mas está a perder a memória e ficar paranóico. Repete muitas vezes as coisas e esquece-as de seguida. Às vezes falamos de algo e passados 15 minutos já se esqueceu. Isto afeta a forma de trabalhar porque temos um cliente que não sabe dizer se se passou algo, nem quando, nem como", disse ao El País o advogado Eduardo Balarezo, que assumiu a defesa do narcotraficante em setembro.

Do lado de fora da prisão de Nova Iorque, Eduardo Balarezo tenta ordenar as quase 300 mil folhas do processo e os milhares de vídeos contra Guzmán Loera. Considerado o maior narcotraficante do mundo, "El Chapo" não fala inglês nem sabe mexer num computador, então as três ou quatro horas por semana que advogado e recluso passa untos a preparar a defesa passam "muito devagar", revela o El País.

Joaquín Guzmán Loera declarou-se inocente de liderar o cartel de droga de Sinaloa, uma organização que se destinava a introduzir toneladas de cocaína nos EUA, de lavar milhões de dólares oriundos do tráfico e de ordenar assassinatos e sequestros. A sua captura e extradição para os EUA não parou, contudo, a onda de violência no México.

O Governo norte-americano argumenta que as condições em que "El Chapo" está detido são as expectáveis para alguém que já escapou das vezes de prisões de alta segurança.

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