'El Chapo' enfrenta pena de prisão perpétua nos EUA

Líder do cartel de Sinaloa é acusado de 17 crimes. Para a extradição, México teve garantias de que não será aplicada a pena de morte.

Foi considerado o narcotraficante mais poderoso do mundo, senhor de um império que movimentava milhares de milhões de dólares por ano, tendo às ordens um verdadeiro exército e milhares de auxiliares para as operações de tráfico, uma frota de aviões e uma flotilha de submarinos para o transporte de drogas, principalmente para os Estados Unidos. Agora, Joaquín El Chapo Guzmán, de 59 anos, líder do cartel de Sinaloa, está numa prisão americana e enfrenta acusações que implicam a detenção perpétua.

O narcotraficante mexicano é acusado de 17 crimes, abrangendo o período de 1989 a 2014 e que vão desde organização e incitamento de assassínios, tráfico de estupefacientes, lavagem de dinheiro, corrupção e comércio e distribuição de armas. Embora alguns destes crimes possam produzir uma sentença de pena de morte, as autoridades mexicanas receberam garantias de que esta não será aplicada, explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Videgaray. O México aboliu oficialmente a pena de morte em 2005, embora não a aplicasse em casos civis desde os anos 30 do século XX.

El Chapo foi extraditado ontem para os EUA, num movimento surpresa mas considerado de relevo diplomático, a coincidir com o fim da presidência de Barack Obama e o início da de Donald Trump. E foi ainda ontem que surgiu o anúncio, pelo México, da realização de uma reunião de alto nível entre Luis Videgaray e três dos mais importantes elementos próximos de Trump: o chefe de gabinete Reince Priebus e os seus conselheiros seniores, o cunhado Jared Kushner e Stephen Bannon. Ao longo da campanha que culminou a 8 de novembro com a vitória do candidato republicano, o novo presidente dos EUA teve comentários hostis para com os imigrantes mexicanos, a quem chamou "criminosos" e "violadores". Prometeu então erguer um muro na fronteira entre os dois países, a ser pago pelo México. O que criou um clima de tensão e interrogações sobre o futuro das relações bilaterais.

O narcotraficante foi entregue a agentes da DEA (Drug Enforcement Administration) e do HSI (Homeland Security Investigations). A primeira entidade combate ao narcotráfico; a segunda lida com o tráfico de drogas mas também o de pessoas e bens, lavagem de dinheiro e crime internacional.

À chegada à prisão situada em Manhattan, El Chapo foi saudado pelas detidas na ala onde ficou, que entoaram o seu nome, escrevia ontem o New York Post. O narcotraficante chegou à prisão num comboio de 13 veículos enquanto elementos das forças de segurança fortemente armados patrulhavam as imediações. Guzmán deu origem no México a inúmeras canções e ganhou um estatuto quase mítico devido ao poder que detinha e às suas fugas de prisões de alta segurança, a primeira em 2001, só sendo capturado em 2014, e a segunda em julho de 2015. Foi recapturado em janeiro de 2016.

A prisão de El Chapo, cuja alcunha significa pequeno (tem apenas 1,67 de altura), temia-se ontem no México que volte a intensificar a luta entre os cartéis pelo controlo de uma posição dominante no narcotráfico para os EUA. Um tráfico que, segundo o valor estimado pelas autoridades americanas, gera cerca de 20 mil milhões de dólares (18,7 mil milhões de euros) por ano.

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