Egito nega suspeitas de roubo de órgãos a turista britânico que morreu no país

Turista morreu há um mês numa estância junto ao Mar Vermelho e regressou ao Reino Unido sem coração e rins, mas autoridades egípcias garantem que órgãos foram retirados apenas para fazer a autópsia

David Humphries, um britânico de 62 anos, passava férias numa estância turística egípcia em Hurghada, junto ao Mar Vermelho, há cerca de um mês. Sentiu-se mal quando brincava com um neto e acabou por morrer. Mas o que poderia ser só mais um caso de ataque cardíaco fatal - até porque uma semana antes David já se tinha queixado de dores no peito - ganhou contornos macabros: o corpo do turista regressou ao Reino Unido sem o coração e os rins. As autoridades egípcias vieram agora afastar qualquer suspeita de que isso se deva a roubo de órgãos para tráfico.

O gabinete que gere o serviço de informações do Egito argumentou este domingo que o coração, os rins, parte do fígado e outros órgãos foram retirados na autópsia para determinar a causa da morte de David Humphries, rotulando de "infundadas" as suspeitas de roubo de órgãos e considerando "relatos falaciosos" os detalhes descritos pela imprensa britânica. Foi apenas numa segunda autópsia ao corpo do sexagenário, realizada já em solo britânico, que foi descoberta a falta do coração e dos rins.

No entanto, as autoridades egípcias não explicam porque os órgãos não foram recolocados no corpo do turista, isto num país onde a remoção total de órgãos é ilegal, consequência de uma lei criada precisamente para atacar o tráfico de órgãos nesta área. Em 2010, o Egito figurava no top cinco dos países com maior tráfico de órgãos, a par com a China, o Paquistão, as Filipinas e a Colômbia, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

O Egito recorda que a filha de David Humphries, que também passava férias na estância situada em Hurghada, "não acusou ninguém de ter alguma coisa a ver com a morte do seu pai". Segundo o serviço de informações, que cita o relatório médico, o turista terá morrido de ataque cardíaco.

As autoridades egípcias estão preocupadas com o impacto destas notícias na reputação do país, tanto mais que ainda em agosto um agente de viagens mudou todos os seus clientes de um outro hotel também em Hurghada depois de um casal britânico ter morrido em "circunstâncias suspeitas", como a sua filha apelidou o caso. Mas também nesse caso o Egito afastou qualquer suspeita de crime, ao informar que John e Susan Cooper não resistiram aos efeitos de uma infeção por e-coli.