Economia digital é uma das chaves para África crescer

País com uma das mais altas taxas de crescimento no continente recebe a versão africana da conhecida cimeira de Davos

Começou ontem, em Kigali, a vigésima sexta edição africana do Fórum Económico Mundial, neste ano subordinado ao tema Ligar os Recursos Africanos Através da Revolução Digital.

Além dos presidentes de países africanos como o Gabão, a Guiné Equatorial, o Quénia, o Senegal, o Togo ou a Etiópia, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que ontem presidiu a uma das sessões, na qual participou o presidente ruandês Paul Kagame, talvez seja a figura mais mediática a marcar presença na cimeira. Graça Machel, a ex-primeira dama moçambicana, é uma das copresidentes do evento.

De acordo com a página do World Economic Forum, neste 26.º encontro dedicado aos desafios africanos pretende-se "juntar os governos, os agentes económicos e a sociedade civil para discutir catalisadores digitais que possam permitir reformas estruturais radicais, reforçar as parcerias públicas e privadas nas questões regionais fundamentais e chegar a acordo relativamente às opções estratégicas a tomar, tendo em vista a prosperidade do continente africano".

É a primeira vez que o Ruanda recebe a versão regional africana da célebre reunião de Davos, que todos os anos tem lugar na Suíça.

A esse propósito, o jornal sul-africano Mail & Guardian Africa estabelece um paralelo entre os dois países: "Mais de duas décadas volvidas sobre um genocídio que reclamou 800 mil vidas, o Ruanda dá mais um passo para tornar-se o país em África mais parecido com a Suíça. A economia desta pequena região montanhosa, sem aceso ao mar, tem deixado para trás a maior parte dos restantes países africanos, graças um crescimento económico anual médio de 7,8% desde o ano 2000".

Apesar destes valores, o mesmo jornal chama a atenção para o facto de o sucesso económicos não ter correspondência nos índices democráticos. Em causa está, por exemplo, uma alteração constitucional que permite ao presidente Kagame, no poder desde 2000, fazer um terceiro mandato. Ontem, na sessão presidida por Tony Blair, o chefe de estado garantiu que não queria que isso acontecesse: "Não pedi nada disto, mas o povo pediu-me para ficar". A cimeira termina amanhã.

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