"Ébola das oliveiras" chega a Espanha e deixa autoridades alarmadas

Bactéria propaga-se rapidamente e destrói culturas inteiras

As autoridades espanholas estão preocupadas com a rápida propagação de uma bactéria que mata oliveiras e outras árvores de fruto. A bactéria xylella fastidiosa foi detetada no sul da Itália em 2013 e em quatro anos arruinou culturas inteiras, ganhando a alcunha de "ébola das oliveiras". Os agricultores italianos dizem não saber o que fazer.

Em outubro do ano passado a bactéria chegou à ilha espanhola de Maiorca. Desde então, e embora as autoridades espanholas tenham dito várias vezes que a situação estava controlada e que as árvores infetadas estavam isoladas, a bactéria já foi detetada em várias cidades e ilhas espanholas.

A xylella fastidiosa ataca com grande virulência o café e as árvores como a oliveira, a amendoeira, a videira, a ameixoeira, o pessegueiro, a laranjeira e o limoeiro, segundo o El Confidencial. Quando infeta uma árvore, a bactéria impede a circulação da seiva. As folhas murcham, os galhos secam e a planta acaba por morrer asfixiada.

Até ao momento não há remédio para a praga que tem provocado prejuízos económicos na ordem dos milhões de euros. Há cerca de 300 espécies de árvores em perigo, e consequentemente, milhares de empregos.

Há até 360 vetores ou agentes de transmissão desta bactéria e a maioria são insetos, como os mosquitos. O protocolo exige que, caso a bactéria seja detetada numa área, toda a vida vegetal num diâmetro de 100 metros deve ser destruída.

Segundo o ministério da Agricultura espanhol, o país vizinho tem cerca de 2,5 milhões de hectares de oliveiras e este setor fatura cerca de 1800 milhões de euros por ano. Espanha tem ainda 150 mil hectares de amendoeiras que rendem cerca de 60 milhões de euros e culturas de citrinos que faturaram em 2015 1982 milhões de euros.

A bactéria está na Península, mas por agora está isolada

Só no município de Guadalest, província de Alicante, foram erradicados 7,5 hectares de vegetação, segundo o secretário-geral da União de Agricultores e Fazendeiros da Comunidade Valenciana, Ramón Mampel.

"É muito preocupante mas não podemos ser alarmistas", disse Juan Luis Ávila, secretário-geral da Coordenador das Organizações de Agricultores e Pecuaristas no município de Xaém, na Andaluzia. "Não podemos pensar que a oliveira vai desaparecer amanhã da Andaluzia".

60% das culturas de azeitona localizam-se em Andaluzia.

Se se confirmar esta realidade, teremos que focar-nos em conviver com ela porque não há solução

"O primordial é evitar que a bactéria chegue às oliveiras, mas se se confirmar esta realidade, teremos que focar-nos em conviver com ela porque não há solução. Aprender a controlá-la como fazem na Califórnia há um século", continuou Luis Ávila.

"Não quero nem pensar no dia em que se detete uma azeitona infetada e digam ao agricultor que tem de arrancar três hectares [de árvores] ao redor", lamentou o coordenador.

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