E se os conservadores ganhassem mas Boris perdesse para um imigrante iraniano?

Primeiro-ministro é candidato em Uxbridge e South Ruislip e em 2017 só teve uma maioria de 5034 votos, sendo o seu adversário trabalhista Ali Milani, um imigrante iraniano de 25 anos.

Na história das eleições britânicas, nunca um primeiro-ministro perdeu na sua circunscrição eleitoral. Mas Ali Milani, um imigrante iraniano de 25 anos, quer que Boris Johnson seja o primeiro a sofrer na pele essa derrota.

O líder do Partido Conservador é candidato por Uxbridge e South Ruislip, uma circunscrição na fronteira oeste na região da Grande Londres, e em 2017 (quando era então chefe da diplomacia britânica), obteve uma maioria de apenas 5034 votos. É a mais pequena que um primeiro-ministro tem desde 1924. Dois anos antes, tinha ganho por 10 695 votos de diferença.

Milani, um muçulmano que nasceu em Teerão e foi viver para Londres aos cinco anos com a mãe, estudou Relações Internacionais na Universidade de Bunel, que fica em Uxbridge. Foi presidente da associação de estudantes da universidade e é vice-presidente da União Nacional de Estudantes.

"Esta é uma eleição histórica. Pode ser a primeira vez que derrotamos um primeiro-ministro. Agora, temos o poder de travar Boris Johnson", disse Milani ao The Washington Post.

O Labour enviou milhares de ativistas da sua base de apoio, o Momentum, para a circunscrição, para ajudarem na campanha porta-a-porta. Mas o desafio não é fácil. Para ganhar, Milani precisa que 5% dos eleitores mudem de opinião e votem nele, o que não é pouco na circunscrição de 72 mil pessoas. Uxbridge e South Ruislip votou a favor do Brexit nas eleições de 2016 (57,2% dos votos).

Curiosamente, Boris Johnson não votou nele próprio -- votou na circunscrição das Cidades de Londres e Westminster.

Uma eventual derrota podia ser um embaraço para o primeiro-ministro, mas não significaria o fim das suas ambições políticas. Apesar de a situação ser nova, os especialistas acreditam que ele poderia ficar temporariamente na chefia do governo enquanto tentava regressar ao Parlamento. Provavelmente, um deputado de uma circunscrição fortemente conservadora podia ser convidado a demitir-se (em troca, por exemplo, de um lugar na câmara dos Lordes), desencadeando umas eleições intercalares no prazo de três semanas. Mas haveria enorme pressão para que saísse de Downing Street.

Além de Milani, Boris Johnson enfrenta na sua circunscrição outros 10 candidatos, incluindo seis independentes e um do Official Monster Raving Loony Party, um partido criado em 1983 para satirizar a política britânica. O candidato deste partido é o Lord Buckethead (o que traduzido à letra significa lorde cabeça de balde), que é inspirado numa personagem da comédia de ficção científica Gremloids e que já foi candidato contra Margaret Thatcher em 1987, John Major em 1992 e Theresa May em 2017.

Entre os independentes há ainda o Count Binface (conde cara de caixote do lixo). e Bobby 'Elmo' Smith (um ativista dos direitos dos pais que se veste como a personagem da Rua Sésamo, e Yace 'Senhor do Tempo Inteplanetário' Yogenstein.

Os eleitores britânicos votam esta quinta-feira, entre as 7.00 e as 22.00, mas o seu voto fará mais do que renovar o Parlamento. Consoante o resultado, ditará o futuro do Reino Unido (que arrisca não ficar assim tão unido) mas também da União Europeia, sendo estas eleições apelidadas por alguns como "as eleições do Brexit".

As sondagens apontam para uma vitória dos conservadores de Boris Johnson frente aos trabalhistas de Jeremy Corbyn, mas os votos são contados circunscrição a circunscrição (são 650) e o vencedor em cada uma delas é quem tiver mais votos, mesmo que seja só um. Na previsão do número de deputados, a maioria dos conservadores ronda os 20, longe dos mais de 60 que lhe davam as sondagens há um mês e é imprevisível contabilizar o voto tático, em que o eleitor escolhe o partido mais bem colocado (independentemente das suas cores políticas) para derrotar o candidato que não quer que ganhe.

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