E se o próximo presidente do Brasil fosse Luciano Huck?

Num momento em que o eleitor foge de políticos tradicionais, o apresentador tenta ser opção ao centro, entre Lula e Bolsonaro.

"Está na hora de a minha geração ocupar os espaços de poder", disse Luciano Huck, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, no dia 30 de março. A frase serviu como pontapé de saída de uma candidatura do empresário e apresentador da TV Globo, de 46 anos, à presidência da República. Uma ideia que de exótica passou a exequível em poucos meses, segundo parte dos observadores. Para o centro-direita, Huck, popular e de fora da política, poderia representar o contraponto ideal ao favorito Lula da Silva, do PT.

O último passo da caminhada de Huck rumo à candidatura foi há duas semanas em reunião no Rio de Janeiro com a cúpula do DEM, partido de direita que ainda não tem nome para as presidenciais de 2018 apesar de contar com um ministro, três senadores, 28 deputados e 267 prefeitos, como Antônio Carlos Magalhães Neto, autarca de Salvador.

"O Luciano é um cara que conhece a realidade do Brasil de ponta a ponta e que tem uma sensibilidade especial, e este é um momento em que a política deve ouvir toda a gente com espírito público", afirmou Neto à saída do encontro. Antes, Huck já se havia reunido com representantes do Rede, partido de Marina Silva, do PPS, social-democrata, do Novo, liberal, e do PSDB, terceira força política brasileira.

Dias depois daquela entrevista à Folha, aliás, Fernando Henrique Cardoso, presidente da República de 1995 a 2002 e líder espiritual do PSDB, sem que ninguém lhe perguntasse, juntou o nome de Huck aos presidenciáveis. "Eu acho que é cedo, temos de ver como a sociedade absorve o impacto da [Operação] Lava-Jato, mas o Luciano Huck e o João Doria [prefeito de São Paulo] representam a novidade."

Estava dado o mote para o Instituto Big Data incluir nesta semana o nome do apresentador do programa Caldeirão do Huck numa sondagem publicada pela revista Veja. À pergunta "em quem, fora da política, votaria para presidente", 31% dos entrevistados escolheram o comunicador, três pontos apenas atrás de Joaquim Barbosa, juiz relator do escândalo do mensalão.

O Antagonista, jornal online dirigido pelo ex-chefe de redação da revista Veja Mário Sabino e pelo colunista da Globonews Diogo Mainardi, aproveitou para lembrar que "este site sempre cita esses dois nomes [Barbosa e Huck] como candidatos a 2018 e não se trata de aposta do Antagonista mas de um dado de facto". A ex-jornalista do canal SBT e blogger Helena Chagas acrescentou ao DN que "o establishment político e económico começa a levar muito a sério o nome do Huck porque há um vazio ao centro". "Hoje o quadro parece polarizado entre extremos, Lula e [o militar de extrema-direita Jair] Bolsonaro, e nenhum agrada às elites, por isso, no desespero, esses grupos estão em busca de um candidato que pode ser o Huck, o Doria ou o [governador de São Paulo Geraldo] Alckmin".

Maurício Savarese, da Associated Press, concorda que "Huck tem hipóteses de concorrer". "Trabalha na principal emissora do país, tem ligação a pessoas influentes, é empresário, vem-se movimentando, as sondagens têm demonstrado cansaço do eleitor com políticos tradicionais, logo tem de ser levado a sério, o problema é ele querer, de facto, largar a vida atual."

O nome de Huck, recém-homenageado ao lado do juiz da Lava-Jato Sergio Moro pelo exército com a Ordem de Mérito, "tem sido namorado por certa elite financeira do Rio de Janeiro", diz ao DN Igor Gielow, repórter especial da Folha. "Por isso acho mais praticável uma candidatura a governador do Rio até porque um voo nacional pressupõe tempo de antena na TV e para isso, segundo as regras atuais, é necessário estrutura partidária por trás."

Huck, no entanto, ainda acredita que o Supremo Tribunal Federal possa validar candidaturas avulsas, sem vínculo a partido, matéria que vem sendo discutida em Brasília. E não tem parado de conversar com os partidos a um ritmo semanal.

São Paulo

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