Donald Trump acusado de politizar o Dia da Independência

O presidente dos Estados Unidos está a ser criticado pelo envolvimento nas comemorações do 4 de julho. Desde Harry Truman, em 1951, que um chefe de estado americano não discursava nas cerimónias em Washinghton.

Donald Trump prepara-se para politizar as comemorações do 4 de julho, o dia da independência dos Estados Unidos. E esse facto está a gerar uma onda de críticas sem paralelo, porque afinal aquele que é dia em que é festejada a nação, está a tornar-se afinal numa gigantesca cerimónia em que o presidente americano está a tornar-se na figura central.

Em Washington estão previstas várias manifestações de protesto contra Trump, incluindo a utilização de um balão dirigível denominado "Baby Trump", já exibido em manifestações contra o presidente noutras cidades americanas.

Donald Trump está a planear uma celebração bastante elaborada que inclui fogo-de-artifício, duas vezes maior que o dos anos anteriores, no National Mall, a avenida entre o Capitólio e o Memorial Lincoln onde costumam realizar-se as cerimónias.

O presidente impôs ainda um desfile de aeronaves militares e do Air Force One (avião presidencial), estando previsto um grande destaque às forças armadas americanas, razão pela qual quer ver tanques e outros veículos militares nas celebrações. Uma espécie de parada militar, à semelhança daquilo que os franceses costumam fazer em Paris, no Dia da Bastilha.

É por isso que o chefe de estado americano já apelidou de este dia como uma "Saudação à América", sendo esse o mote do seu discurso em frente ao Memorial Lincoln. É este facto o que está a gerar maiores críticas, pois desde 1951 que nenhum presidente discursou nas comemorações de 4 de julho no Mall. Na altura, Harry Truman fez um discurso no monumento a Washinghton para marcar o 175.º aniversário da assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Em 1970, Richard Nixon gravou uma declaração que foi passada no National Mall. De resto, todos os outros presidentes americanos optaram por manter-se à parte das festividades, que se destacaram sempre por serem apartidárias.

O presidente dos Estados Unidos pretende que seja um evento que honre o patriotismo e os militares americanos, mas os críticos, entre os quais alguns membros do Congresso, já mostraram preocupação com o facto de se tratar de uma espécie de celebração a Donald Trump. "É triste que o presidente está a tornar este dia num comício político", disse Steny Hoyer, membro do Partido Democrata, à estação de televisão NBC.

Este ano, a participação de Donald Trump nas cerimónias vai obrigar a que as autoridades procedam à alteração das habituais rotinas para que seja garantida a segurança do presidente dos Estados Unidos. Assim sendo, o acesso das centenas de milhares de pessoas que habitualmente marcam presença no National Mall serão alterados e a Casa Branca irá emitir bilhetes para as pessoas que queiram estar perto do local onde irá falar Trump.

As preocupações vão também com os danos que os pesados veículos militares possam causar no pavimento do National Mall, pois alguns deles pesam mais de 60 toneladas, pelo que as estradas não tão preparadas para suportar tanto peso.

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