Diretor de campanha de Trump encontrou-se com o líder do WikiLeaks Julian Assange

Paul Manafort reuniu-se com o líder da Wikileaks na embaixada do Equador em Londres. Meses depois aquela organização publicou milhares de emails de Hillary Clinton e do Partido Democrata. Manafort, que está preso, nega tudo.

O homem que foi diretor da campanha de Donald Trump manteve vários encontros com o líder da Wikileaks, Julian Assange, o último deles na altura em que se juntou à equipa do candidato, revelou o Guardian. Paul Manafort deslocou-se à embaixada do Equador em Londres em 2013, 2015 e na primavera de 2016.

A Wikileaks respondeu com várias mensagens no Twitter. Numa delas apostando um milhão de dólares como Manafort nunca se encontrou com Assange.

As fontes do jornal britânico não sabem do que trataram o empresário norte-americano e o ativista australiano. No entanto, no verão de 2016 a Wikileaks publicou dezenas de milhares de emails do email pessoal de Hillary Clinton e do Partido Democrata, que terão sido pirateados pela Rússia.

A publicação destes emails acabou por dominar a campanha eleitoral (inclusive com a investigação iniciada pelo FBI) a ponto de Clinton afirmar que contribuiu para a sua derrota.

Esta revelação do Guardian coincide com a notícia de que Paul Manafort, de 69 anos, quebrou o acordo que tinha com a investigação do procurador especial Robert Mueller. Segundo os advogados ligados ao processo, Manafort mentiu aos investigadores federais. Desta forma, o homem de negócios, que já se encontrava preso, vai cumprir pena por todos os crimes de que foi considerado culpado em dois processos diferentes.

Este é um revés para a investigação de Mueller sobre a interferência da Rússia nas eleições presidencais de 2016. O procurador já leva 18 meses de investigação e deve concluir um relatório nos próximos meses. "É mau para a investigação geral de Mueller", disse Patrick Cotter, advogado de defesa, à Reuters, porque perdeu uma testemunha. Ainda assim, Cotter lembra que a cooperação anterior pode ter levado Mueller a outras pistas.

À espera do perdão presidencial

Republicano, Manafort manteve relações lucrativas em negócios com políticos pró-Kremlin na Ucrânia antes de se juntar à campanha Trump em março de 2016, na qual prometeu trabalhar a título gracioso. Manafort foi um dos participantes na famosa reunião na Trump Tower em junho de 2016 com um grupo de russos que ofereceu informações comprometedoras da candidata rival de Trump.

O relacionamento de longa data com Oleg Deripaska, um oligarca próximo do presidente russo, Vladimir Putin, era outro motivo pelo qual a cooperação de Manafort era vista como importante para a investigação de Mueller.

Manafort começou a cooperar em setembro depois de se declarar culpado num tribunal federal em Washington por conspiração contra os Estados Unidos - uma acusação que incluía uma série de crimes, da lavagem de dinheiro até ao exercício de lobby não registado. Também admitiu que tentou adulterar testemunhos.

O fim do acordo significa que Manafort será alvo de uma sentença grave - quer pelos crimes pelos quais se declarou culpado em Washington quer pela condenação, em agosto, na Virgínia, num caso de fraude bancária e fiscal. Só neste caso Manafort pode ser sentenciado a 10 anos de prisão.

No entanto, Trump poderá conceder-lhe um perdão presidencial - um cenário que muitos antecipam e que o próprio chefe de Estado não negou. Durante o julgamento na Virgínia, Trump disse que Manafort é uma "pessoa muito boa".

Perante este cenário, o ex-procurador federal em Miami David Weinstein comenta: "Parece-me que está a procurar o perdão."

Seth Abramson, autor do livro Proof of Collusion (sobre as ligações da campanha de Donald Trump à Rússia) voltou a lembrar no Twitter uma frase assassina dos próximos do presidente norte-americano, feita em janeiro, e publicada pela NBC. "Trump está a contar em privado a amigos e assessores que as coisas estão ir muito bem para ele [porque] está convencido que uma testemunha-chave na investigação da Rússia, Paul Manafort, não vai testemunhar e entregá-lo." Ou seja, Trump estava a admitir a sua culpa.

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