Diplomatas terão sido alvo de um "ataque sónico" em Havana

Além dos americanos, também um diplomata canadiano sofreu perda de audição. Responsáveis dos EUA não acusam diretamente Cuba mas confirmam que estão a investigar o caso

Pelo menos um diplomata canadiano recebeu tratamento para perda de audição, tal como aconteceu com um grupo de diplomatas americanos em Havana, Cuba, um incidente que os americanos acreditam ter sido causado por "avançados dispositivos sónicos".

Brian Maxwell, porta-voz do governo canadiano para os Negócios Estrangeiros, confirmou que foram registados "sintomas pouco comuns afetando diplomatas canadianos e americanos, e seus familiares, em Havana". "O governo está a trabalhar ativamente, em colaboração com as autoridades canadianas e cubanas, para descobrir a causa", garantiu, afirmando ainda que não há qualquer motivo para acreditar que os turistas possam ser afetados por esta enfermidade.

Estas declarações surgem depois de Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano se ter recusado ontem, em conferência de imprensa, a confirmar as informações que apontam que diplomatas norte-americanos foram vítimas de um "ataque acústico" com "dispositivos de som", que provocou a perda da capacidade auditiva.

"Algum do nosso pessoal, que apresentava uma variedade de sintomas físicos, teve a opção de deixar Cuba e ser repatriado por razões de saúde", disse, acrescentando, no entanto que os Estados Unidos desconhecem quem foi o responsável pelos "incidentes" e que, por isso, não podem acusar "nenhum país". "Não sabemos exatamente donde saiu isto. Não podemos culpar nenhum indivíduo ou país, de momento", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado. "Mas estamos a tratar da situação com toda a seriedade."

Tudo começou no outono do ano passado, quando vários diplomatas americanos começaram a sofrer de "inexplicáveis perdas de audição". Alguns dos sintomas eram tão fortes que os diplomatas tiveram de regressar aos Estados Unidos. Segundo a AP, após meses de investigações, as autoridades americanas concluíram que os diplomatas tinham sido atacados com dispositivos sónicos que teriam sido colocados nas suas residências. No entanto, não foi imediatamente claro se esse dispositivo era uma arma usada deliberadamente ou teria qualquer outra função.

Como retaliação, a 23 de maio, os Estados Unidos comunicaram a Cuba que dois dos seus funcionários em Washington deviam abandonar o país, numa "decisão injustificada e infundada", segundo Havana, que motivou, aliás, um protesto por parte da diplomacia cubana.

Por sua vez, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba, através de um comunicado lido na quarta-feira na televisão estatal, reafirmou que a ilha "cumpre com todo o rigor e seriedade" a Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas, de 1961, no tocante à proteção da integridade de representantes e representações diplomáticas, e defendeu que Cuba é um "destino seguro para visitantes e diplomatas estrangeiros, incluindo os norte-americanos".

As relações entre Havana e Washington deterioraram-se após a chegada à Casa Branca de Donald Trump, que prometeu fazer recuar a aproximação bilateral histórica, ao fim de mais de meio século, iniciada em 2014 pelo antecessor, Barack Obama.

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