Dilma diz que vai lutar contra "o golpe"

Segundo jornal O Globo, impeachment da presidente não deve passar. Ministro próximo de Michel Temer demite-se

Dilma Rousseff está disposta a "lutar contra o golpe, pela saúde da democracia". Em conferência ligada à saúde, em Brasília, a presidente aproveitou para relacionar o assunto do evento ao tema do momento no Brasil: o impeachment de que é alvo. A audiência brindou o discurso de Dilma com gritos "não vai ter golpe" e "fora Cunha", uma menção ao presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha que deu andamento ao pedido de destituição.

"Vou lutar contra esse impeachment porque não fiz nada que o justifique e porque tenho um compromisso com a população do país", prosseguiu. O discurso agressivo faz parte da estratégia do PT: em primeiro lugar, colar o pedido de impeachment a Eduardo Cunha, cuja imagem está ainda mais desgastada do que a da presidente; em segundo, juntar o máximo de forças em redor de Dilma, nomeadamente governadores de estado que dependem dela, como Luiz Fernando Pezão, do Rio de Janeiro, que foi quinta-feira visitado por Lula da Silva; e, em terceiro, tentar acelerar o processo de modo a votá-lo antes de as ruas se encherem de novo com manifestantes.

Outra medida do PT, porém, fracassou: a tentativa de bloquear o processo via Supremo, como o deputado Wadid Damous anunciou ao DN, nem chegou a ser tentada, mal se soube que o relator do processo seria Gilmar Mendes, juiz tradicionalmente contrário às teses do governo.

Entretanto, o jornal O Globo simulou uma contagem de votos na Câmara dos Deputados e concluiu que, por ora, 258 parlamentares votariam contra o impeachment - são necessários 171 para o travar. Uma das razões, pelas quais Cunha, do PMDB, e a oposição tentam ganhar tempo e adiar os trâmites do processo para depois da paragem de natal e de verão, que dura até fevereiro.

Por outro lado, o vice-presidente Michel Temer, que herdaria a presidência de Dilma em caso de destituição, não se pronunciou ainda. Mas a demissão surpresa, ontem à tarde, de um dos seus protegidos no governo, o Ministro da Aviação Eliseu Padilha, indicou que pode não estar solidário com a presidente e sim com Cunha.

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