Diamante cor-de-rosa e outras joias de Imelda Marcos vão a leilão

Imelda Marcos, conhecida pelos gostos extravagantes, vai ver as suas mais de 760 joias leiloadas. Entre elas está um diamante cor-de-rosa extremamente raro

Pela primeira vez a coleção de joias de Imelda Marcos, a antiga primeira-dama das Filipinas durante o período de ditadura, vai estar à vista de todos. Ouro, rubis, tiaras e diamantes vão ser expostos e leiloados esta semana, segundo o jornal The Times.

Três décadas após a queda da ditadura que permitiu à primeira-dama acumular mais de 760 peças de joalharia, a maior surpresa surgiu quando foi encontrado entre a coleção um diamante cor-de-rosa avaliado em 5 milhões de dólares, 4,7 milhões de euros.

"Diamantes cor-de-rosa são extremamente raros", explica David Warren da Christie's, empresa britânica que está a avaliar a fortuna, "se eu não soubesse de onde veio a coleção, diria que pertencia a alguém da realeza". "O diamante cortado em formato briolette (pera) tem 25 quilates" e "um tom de cor-de-rosa distinto", continuou o consultor, citado pelo The Times. Acredita-se que o diamante tenha vindo da mina Golconda, na Índia.

Imelda Marcos era casada com Ferdinando Marcos e foi primeira-dama das Filipinas durante 20 anos, a partir de 1965. Conhecida pelas suas extravagâncias, o seu fascínio por sapatos deu origem a uma exposição no Museu de Sapatos da Cidade de Marikina, com os pelo menos 1220 pares que Imelda deixou para trás quando teve de fugir do país.

A coleção de diamantes agora exposta foi divida em três secções. A coleção do Havai, onde está o diamante cor-de-rosa, inclui as 300 peças valiosas apreendidas pelos Estados Unidos em Honolulu, a cidade capital para onde o casal Marcos fugiu após a queda do regime. Na coleção Roumeliotes, um apelido grego, encontram-se as 60 joias apreendidas a um amigo grego do casal que tentava tirá-las clandestinamente das Filipinas uma semana depois de Imelda Marcos ter saído do país. A maior seção da exposição, a coleção Malacañang, o nome do palácio presidencial, contém 400 peças que a primeira-dama deixou para trás. Legalmente, as peças do palácio ainda pertencem a Imelda Marcos.

Até 1991 as joias de Imelda estavam avaliadas entre cinco e sete milhões de dólares, mas provavelmente este valor aumentou, de acordo com o que Andrew de Castro, presidente da comissão responsável por recuperar a fortuna do casal Marcos, afirmou ao The Guardian.

A presidente eleita democraticamente após a queda de Ferdinando Marcos, Corazon Aquino, montou uma equipa para localizar e trazer de volta para o país todas as riquezas acumuladas pelo casal durante a ditadura. Estima-se que até ao momento tenham sido recuperados bens no valor de 4 mil milhões de dólares, mas que a fortuna original valesse 10 mil milhões de dólares. Imelda Marcos também era uma grande apreciadora das artes e há, na coleção que resta, 144 obras desaparecidas, que incluem quadros de Picasso e Van Gogh.

Imelda Marcos voltou para as Filipinas em 1991, após a morte de seu marido, e aos 86 anos tem um lugar no congresso do país.

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