"Emocionante". Astronautas americanos a bordo da Dragon Crew regressaram à Terra

A amaragem no Golfo do México estava prevista para as 19:48 de Lisboa (14:48 nos EUA), tendo sido concluída com sucesso. A missão é um marco histórico em nove anos pois foi o primeiro voo tripulado a ser lançado nos EUA desde 2011, mas também nas relações entre a NASA e empresas privadas - neste caso, a SpaceX.

"Splashdown!". Passados mais de dois meses, os astronautas a bordo da cápsula Dragon Crew, lançada pelo foguetão Falcon 9, regressaram a terra, este domingo (2 de agosto). Foi a 30 de maio que descolou o primeiro voo espacial tripulado a ser lançado dos EUA em nove anos - depois do cancelamento do programa de vaivéns espaciais da NASA -, fruto de uma parceria com a empresa privada de Elon Musk, a SpaceX.

A bordo seguiam os norte-americanos RobertL. Behnken e Douglas G. Hurley. Numa cerimónia de despedida a bordo da cápsula, transmitida na televisão pela NASA, Douglas Hurley explicou que estavam a entrar na "fase de entrada, descida e queda de água", "depois de desacoplarmos". "As equipas estão a trabalhar muito, especialmente com a dinâmica do clima nos próximos dias pela Flórida", onde aterraram e onde se esperava a chegada do furacão Isaías, acrescentou.

A cápsula irá agora ser recolhida por uma embarcação da SpaceX, onde seguem mais de 40 pessoas a bordo. Os astronautas serão seguidos por médicos e enfermeiros, que integram a tripulação desta embarcação. Toda a equipa teve de seguir um período de isolamento de duas semanas e foi testada para a covid-19, uma das exigências para o contacto com os astronautas. Robert e Douglas deverão depois voar até Houston.

Veja as imagens da NASA em direto:

O presidente norte-americano, que já tinha marcado presença no lançamento do Falcon 9, já reagiu à aterragem. "Astronautas concluíram a primeira amaragem em 45 anos. Muito entusiasmante!", escreveu Donald Trump na sua conta de Twitter.

O chefe da missão, Chris Cassidy, considerou este um dia "emocionante", saudando a importância da missão, que garante agora um novo meio de transportar astronautas para o espaço. O desencaixe da Estação Espacial Internacional aconteceu esta madrugada em Portugal e a amaragem no Golfo do México estava prevista para as 14:48 deste domingo (19:48 em Portugal).

Viagem histórica, para o mundo e para as parcerias público-privadas

Esta trata-se da primeira viagem ao espaço a partir de solo americano desde 2011, quando o programa Space Shuttle da NASA foi descontinuado. O presente lançamento integra o Programa Comercial Tripulado da NASA, uma iniciativa que, segundo a SpaceX, "é um ponto de viragem para o futuro da América na exploração do espaço que estabelece as bases para futuras missões à Lua, a Marte e mais além".

Desta vez, a agência espacial optou por não criar a sua nave sozinha e pediu a ajuda do setor privado, para que desenvolvesse uma nave espacial capaz de transportar com segurança astronautas de e para a Estação Espacial Internacional. A cooperação entre a NASA e empresas privadas não é novidade. No entanto, a forma como está a ser feita agora abre oportunidades sem precedentes e o dia 30 de maio de 2020 ficará para sempre na história assinada por uma operação espacial de sucesso.

"Estas empresas são inspiradoras para a NASA e para as pessoas que trabalham nela", disse ao DN a ex-astronauta Cady Coleman, uma veterana da agência que agora é exploradora global residente da Escola de Exploração do Espaço e da Terra, da Universidade Estadual do Arizona.

Estamos perante "uma nova era de exploração no sentido em que temos agora muitos tipos de entidades espaciais, pessoas, empresas, milionários, governos"

Ambas as empresas "podem tomar riscos maiores com o hardware, testar se uma nave mais leve vibra menos, por exemplo." Se for uma agência governamental a fazê-lo e algo acontecer, haverá uma investigação e um relatório, o que abranda o ritmo de inovação. Para um Elon Musk na SpaceX ou um Jeff Bezos na Blue Origin, as consequências são diferentes. "O facto de as empresas privadas não terem o mesmo escrutínio que a NASA permite-lhes explorar mais livremente", disse Coleman. "E, ainda assim, estamos a trabalhar todos juntos."

Acredita ainda que estamos perante "uma nova era de exploração no sentido em que temos agora muitos tipos de entidades espaciais, pessoas, empresas, milionários, governos", enquanto há algumas décadas o terreno era mais limitado.

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