Dezenas de ex-responsáveis da segurança nacional dos EUA criticam Trump

Cerca de 60 ex-responsáveis da segurança nacional dos Estados Unidos afirmaram esta segunda-feira numa carta enviada ao Presidente Donald Trump que "não há emergência que justifique" redirecionar fundos federais para construir um muro na fronteira com o México.

"Diante de uma ameaça inexistente, realocar recursos para construir um muro ao longo da fronteira sul irá minar a segurança nacional do país ao extrair desnecessariamente recursos dos programas do Departamento de Defesa", refere a carta assinada por 58 ex-funcionários norte-americanos, entre os quais existem nomes do Partido Democrata e do Partido Republicano.

A ex-secretária de Estado Madeleine Albright, que trabalhou para o ex-Presidente Bill Clinton (1993-2001), e Chuck Hagel, ex-senador republicano e ex-secretário da Defesa na administração de Barack Obama (2009-2017), são alguns dos signatários.

Também assinam a carta o ex-diretor da CIA (serviços secretos) e ex-secretário da Defesa na administração Obama, Leon Panetta, o ex-chefe da Proteção de Alfândegas e Fronteiras (CBP), Gil Kerlikowske, e o ex-secretário de Estado, John Kerry.

Os autores da missiva indicam que o texto pode ser utilizado para questionar os argumentos apresentados pela administração de Donald Trump para justificar o redirecionamento de oito mil milhões de dólares (cerca de sete mil milhões de euros) de fundos federais para a construção do muro fronteiriço.

Para conseguir aceder aos fundos federais, Trump decidiu, a 15 de fevereiro, declarar estado de emergência nacional na fronteira sul do país, alegando então que "uma invasão" de drogas e de criminosos na fronteira com o México justificava medidas extraordinárias.

Para atingir a verba de financiamento, e segundo dados fornecidos nesse mesmo dia pelo chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, a administração da Trump irá utilizar a verba acordada entre republicanos e democratas (quase 1,4 mil milhões de dólares, 1,2 mil milhões de euros) para a construção da barreira fronteiriça, mas também cerca de 6,6 mil milhões de dólares (cerca de 5,8 mil milhões de euros) de fundos federais que foram aprovados para outros propósitos.

Na missiva, os signatários observam que a emergência nacional e "outras ações unilaterais" para travar os migrantes que chegam ao sul dos Estados Unidos "também poderão forçar os laços diplomáticos com o hemisfério ocidental", num momento em que Washington "deveria abordar as preocupações na região", como é o caso da turbulência política na Venezuela.

Os ex-responsáveis sublinham que as bases sobre as quais Donald Trump sustenta a declaração de emergência nacional não são verdadeiras.

"As travessias irregulares estão perto dos mínimos dos últimos 40 anos, não existe uma ameaça terrorista documentada, o tráfico de pessoas e de drogas não será afetado por um muro na fronteira e não há uma ameaça de violência criada pelos imigrantes", destacam os subscritores.

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