Despedido o funcionário que mandou falso alerta de míssil no Havai

Colegas já tinham manifestado preocupação com o funcionário, que outras vezes confundira exercícios de prevenção com ameaças reais

O líder da agência de emergência do Havai demitiu-se e o funcionário responsável por enviar o alerta sobre um ataque de míssil iminente - que era falso - foi despedido, na sequência do inquérito ao que aconteceu no início do mês de janeiro no estado norte-americano.

"Ameaça de míssil balístico a caminho do Havai. Procurem imediatamente abrigo. Isto não é um simulacro". Foi esta a mensagem que os havaianos receberam nos telemóveis e que imediatamente gerou o pânico. Levou quase 40 minutos até que todos fossem avisados que se tratava de um erro.

Na terça-feira, foi divulgado o relatório da Comissão de Comunicações Federal, que defende que o erro na emissão do alerta foi resultado de um desentendimento entre os funcionários da Agência de Gestão de Emergência do Havai, durante a mudança de turno.

O supervisor da noite terá avisado o colega do dia que ia lançar um simulacro de prevenção para eventuais lançamentos de mísseis balísticos, mas o responsável do turno do dia percebeu que o exercício seria dirigido aos agentes a trabalhar à noite.

Ainda que o supervisor tivesse passado uma mensagem a alertar "exercício, exercício, exercício" antes de começar com as mensagens de alerta, um dos funcionários julgou que se tratava de uma ameaça real e decidiu de imediato enviar uma mensagem de aviso para os telemóveis dos havaianos.

Os relatos iniciais indicavam que o funcionário teria enviado o alerta por engano, mas os dados mais recentes revelam que o homem enviou o aviso deliberadamente para os telemóveis dos havaianos. E só 38 minutos depois a informação foi corrigida devido a uma série de obstáculos, inclusivamente pelo facto de o governador do Havai ter-se esquecido da palavra-passe do Twitter, o que o impediu de difundir nas redes sociais que o alerta era falso.

O funcionário que enviou o alerta, revelaram as autoridades, tem também um historial de "confundir simulacros com realidade", nomeadamente em casos de catástrofes naturais. O advogado do responsável, porém, diz que o funcionário está a ser o "bode expiatório" da situação.

Exclusivos