Deputada quer alunos a filmar e a denunciar professores anti-Bolsonaro

"Filme ou grave todas as manifestações político-partidárias ou ideológicas" em sala de aula, pede Ana Caroline Campagnolo, do PSL. Já há vídeos a serem enviados e há quem diga que "a ditadura já foi instaurada"

Uma deputada brasileira, apoiante de Jair Bolsonaro, eleito este domingo presidente do Brasil, pediu nas redes sociais para que alunos universitários do estado de Santa Catarina "filme e gravem" as aulas de "professores e doutrinadores", apelando a que denunciem discursos "político-partidários ou ideológicos". "Na semana do dia 29 de outubro, muitos professores doutrinadores estarão inconformados e revoltados. Muitos não conseguirão disfarçar sua ira", escreveu Ana Caroline Campagnolo.

O post da deputada foi publicado logo após ser conhecida a vitória de Bolsonaro. A deputada abriu "um canal informal de denúncias na internet", como descreve o jornal brasileiro Estadão. A ideia é fiscalizar os professores em sala de aula já a partir desta segunda-feira.

Garante que "professores éticos e competentes não precisam se preocupar". "Pedimos que não enviem vídeos de outros estados (como já estão fazendo), pois não temos como administrar tantos conteúdos. Alunos que sentirem seus direitos violados podem usar gravadores ou câmaras para registrar os fatos", anuncia.

A deputada pede vídeos e informações e que esses sejam enviados para o seu telemóvel com indicação do nome do professor, escola e cidade. "Garantimos o anonimato dos denunciantes", alerta.

O post, que já conta com 3,5 mil "gostos" e mais de 2000 partilhas, foi bastante comentado, com muitos internautas a defenderem a posição da deputada, mas também com várias críticas à iniciativa. "O quê? A ditadura já foi instaurada... que eu saiba cada um pode dar sua opinião, especialmente os professores....", lê-se num dos comentários.

"É só se comportar direitinho que não precisa ter medo, cidadão"

"Há muito tempo não me sinto enojado tal como estou diante desta publicação ridícula", escreveu outro. As respostas de Campagnolo variam entre: "É só se comportar direitinho que não precisa ter medo, cidadão", ou "Podem levar gravador profissional que é melhor, o áudio fica mais nítido. Vou reforçar a informação".

Nos comentários que foi publicando em resposta, a deputada esclarece que as imagens enviadas para o seu telemóvel não serão divulgadas, e sim utilizadas para uma "investigação" onde serão tomadas as "medidas cabíveis em cada caso". "Não queremos gravar uma novela, moça", respondeu Ana Caroline Campagnolo a uma comentadora indignada.

Entre os que defendem a iniciativa, contam-se comentários como: "Tá na hora de higienizar as escolas, jogar o lixo no lixo e tornar as escolas grandes de novo", mas também: "Faxina feita...hora de começar a colocar a casa em dia!!" e vários a interpelar quem reagiu contra opost da deputada com a pergunta: "Está com medo?"

De acordo com o Estadão, a deputada e historiadora Ana Campagnolo processou a professora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina, e sua ex-orientadora no mestrado, em 2016, por suposta "perseguição ideológica". O caso, que marcou as discussões acerca do movimento Escola Sem Partido, foi julgado improcedente em setembro deste ano pelo 1º Juizado Especial Cível de Chapecó. A deputada recorreu.

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