"Demolir casa de Hitler seria negar história Nazi". Áustria volta atrás

Comité responsável por decidir destino da casa onde Hitler nasceu nega que o edifício vá ser demolido, desmentindo anúncio de ministro do Interior

A casa onde Hitler nasceu em Braunau am Inn em 1889 pode, afinal, não ser demolida, contrariamente ao que foi anunciado esta segunda-feira pelo ministro do Interior austríaco. Wolfgang Sobotka afirmou ontem que o comité de especialistas encarregue de decidir que destino teria a casa tinha chegado a um consenso e optado pela demolição.

Esta terça-feira, o comité negou este consenso e revelou que é contra a demolição. "Nós deixámos claro que a demolição seria como uma negação da história Nazi na Áustria", disseram os professores Clemens Jabloner e Oliver Rathkolb, membros do comité, num comunicado enviado à BBC.

O ministro do Interior austríaco, Wolfgang Sobotka, voltou atrás nas declarações e disse esta terça-feira que a casa deverá "ser convertida até deixar de ser reconhecível" e que ainda pode ser discutido se isto significa uma demolição ou não, segundo a BBC.

O comité afirma que alterar o edifício pode ser a solução. "Nós fizemos várias propostas para a desmistificação [definitiva] deste lugar" incluindo recorrer a "uma conversão arquitetónica", continuam os professores, para que o edifício perca o seu valor simbólico.

A demolição seria como uma negação da história Nazi na Áustria

O prédio está vazio desde 2011, o que criou uma oportunidade para neo-nazis de todo o mundo o usarem como local de adoração e peregrinação. Todos os anos a 20 de abril, data do aniversário de Hitler, vários apoiantes de extrema-direita se reúnem à porta do edifício para tirar fotografias, segundo o jornal Deutsche Welle.

O destino da casa onde Hilter nasceu acendeu um debate na pequena cidade de 17 mil habitantes de Braunau am Inn. Várias pessoas sugeriram que a casa fosse transformada num memorial, mas o comité colocou fora de questão qualquer hipótese de o prédio se tornar um museu.

A casa de Hitler pertence à família de Gerlinde Pommer, atual dona, há mais de um século, mas deverá ser expropriada em breve, após a aprovação desta medida por parte do parlamento austríaco.

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