Furacão Irma tem "potencial para devastar a Florida"

França confirma mortos e Macron diz que vai ser "duro e cruel". Oito mortos e dois feridos são os números mais recentes

O furacão Irma provocou seis mortos na parte francesa da ilha de Saint-Martin, nas Antilhas Pequenas, anunciou o prefeito de Guadalupe, revendo em alta o número de vítimas mortais.

Antes, a ministra francesa do Ultramar, Annick Girardin, tinha informado que este furacão tinha causado, pelo menos, dois mortos e dois feridos nos territórios franceses de Saint-Martin e Saint Barthélemy.

Entretanto, o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, citado pela edição digital do Daily Observer, um dos principais meios de comunicação deste arquipélago, deu conta de um morto e da destruição de uma grande parte das habitações, em resultado da passagem do Irma, que também provocou graves estragos nas infraestruturas.

Em Porto Rico, território que também se encontra em estado de emergência, uma mulher de 76 anos morreu quando era resgatada, informou o presidente da câmara de Manatí, José Sánchez. A vítima, que se movimentava em cadeira de rodas, caiu quando era resgatada da sua casa. Morreu no hospital, de acordo com a EFE, citada pelo jornal El Pais.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, falou esta quarta-feira sobre o Furacão Irmã, que já atingiu dois territórios franceses: Saint-Martin e Saint-Barthélémy (São Bartolomeu).

"Estamos, esta noite, com todos aqueles que, no nosso território, estão na miséria, privados de tudo, e que possam ter perdido entes queridos", afirmou o Presidente francês.

Macron anunciou também um "plano nacional de reconstrução" para as ilhas, acrescentando que será criado um "fundo de emergência".

"A solidariedade nacional será mobilizada. Vamos estabelecer um fundo de emergência e um plano de reconstrução", escreveu também.

"Devastar a Florida"

Rick Scott, governador da Florida também destacou esta quarta-feira que o Irma poderá ser o furacão mais perigoso dos últimos anos e pediu à população para acatar as ordens de evacuação que já estão a ser emitidas pelas autoridades locais.

"Não consigo realçar o suficiente: Não ignorem as ordens de evacuação", disse o governador numa conferência de imprensa, segundo o New York Post. "Podemos reconstruir as vossas casas, mas não podemos reconstruir as vossas vidas. Levem o necessário, mas só o necessário".

Acrescentou ainda que se prepara algo "com potencial para devastar a Florida".

O furacão Irma, o mais intenso das últimas décadas nas Caraíbas, já atingiu as ilhas de Saint-Barthélémy (São Bartolomeu) e franco-holandesa Saint-Martin, com inundações e ventos que chegam aos 195 km/hora. Já foram detetadas rajadas de vento que ultrapassaram os 360 quilómetros por hora. Segundo o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, os quatro edifícios mais sólidos de Saint-Martin foram destruídos.

O 'olho' do ciclone, com cerca de 50 quilómetros de diâmetro, permaneceu cerca de uma hora e meia sobre Saint-Barthélémy e de seguida atingiu Saint-Martin. O mar "abate-se com extrema violência" sobre a costa e verifica-se uma "importante submersão das partes baixas do litoral", sublinharam os serviços meteorológicos franceses. "Os prejuízos materiais já são importantes", declarou Annick Girardin, ministra dos territórios ultramarinos francesa.

Nas redes sociais, várias pessoas publicaram imagens da destruição em Saint-Martin. Nem o aeroporto escapou à fúria do furacão.

O furacão, da dimensão da França, atingiu antes a ilha de Barbuda, acompanhado por ventos que atingiram os 295 quilómetros por hora, segundo o centro norte-americano de furacões.

A intempérie forçou o avião que transportava o papa Francisco para a Colômbia a alterar o seu plano de voo.

O fenómeno parece no entanto ter poupado a ilha francesa de Guadalupe, mais a sul das Antilhas, onde o alerta vermelho de ciclone foi levantado na manhã de hoje, o território passou para vigilância laranja devido a "fortes chuvas e tempestades" e "mar perigoso".

O furacão de categoria 5 na escala Saffir-Simpson, a máxima, encaminha-se agora para a República Dominicana, sendo ainda esperado na Florida no fim de semana.

O Irma "é desde já um furacão histórico" e "de uma intensidade sem precedentes no Atlântico", assinalou a Méteo-France.

"O último furacão que afetou diretamente Porto Rico foi em 1928, o San Felipe, desde então que nesta área das Caraíbas não há registo de um furacão tão intenso quanto Irma", disse o meteorologista Gabriel Lojero, em declarações à CNN.

O governador de Porto Rico preveniu que os efeitos do Irma podem ser catastróficos, considerando-o ainda mais perigoso que o Harvey, o furação que devastou Houston, no Texas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu no Twitter que este parece ser o maior furacão de que há registo no oceano Atlântico e garantiu que foram enviados reforços para a Florida.

Por sua vez, o autarca do condado de Miami-Dade, na Florida, Carlos Giménez, afirmou que não vai emitir uma ordem de evacuação porque o furacão Irma diminui de intensidade, dando mais tempo às autoridades para decidirem o que fazer, segundo a CNN.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, é provável a ocorrência de variações na intensidade do furacão, ainda assim prevê-se que se mantenha na categoria 4 ou 5 durante os próximos dias. Os ventos máximos previstos são da ordem dos 295 km/h. Já foram detetadas rajadas de vento que ultrapassaram os 360 quilómetros por hora.

(Notícia atualizada às 00.42)