De beldade que não queria entrar na campanha até primeira-dama

A eslovena Melania Trump, 46 anos, é caracterizada como tímida, criativa e inovadora

Quando Donald Trump apresentou a candidatura à Casa Branca, em julho do ano passado, a mulher quis passar despercebida e manteve-se em segundo plano. Mas, com a vitória do candidato republicano nas eleições de ontem, Melania Trump terá de assumir um papel mais ativo enquanto primeira-dama dos Estados Unidos.

Na terra onde nasceu, a pequena cidade eslovena de Sevnica, ninguém duvida de que a beldade terá sucesso quando suceder a Michelle Obama. "Melania será uma excelente primeira-dama, que vai levar os valores eslovenos de generosidade, lealdade e confiança para os Estados Unidos", defendeu Vladimira Tomsic, responsável pelo centro médico da cidade, citada pela Reuters.

Na cidade, onde vivem cerca de cinco mil pessoas, Melania é descrita como uma pessoa "criativa e inovadora". "Sevnica era muito pequena para ela", afirma Mirjana Jelancic, amiga de infância da futura primeira-dama.

Agora diretora da escola primária onde Melania estudou, Jelancic admite à Reuters ter ficado surpreendida ao ver a amiga envolvida na política norte-americana. "Ela era tímida e quando soube que Donald ia concorrer disse [para mim mesma] que seria difícil para ela. Ela nunca quis estar no centro das atenções", garante. "Ela foi excelente no seu trabalho [na campanha]", acrescenta.

Primeiro com uma postura discreta, praticamente invisível. Depois, com o aproximar da data das eleições, com mais protagonismo. Participou na convenção republicana em que Donald Trump foi formalmente nomeado candidato presidencial do partido e, mais recentemente, juntou-se à campanha com um discurso centrado nos valores tradicionais.

Em ambas as situações, Melania Trump deu nas vistas. Primeiro, porque plagiou um discurso que Michelle Obama, a atual primeira-dama, fizera quando o marido foi nomeado candidato democrata na convenção do partido, há oito anos. Depois, porque elegeu o combate ao cyberbullying como uma das suas bandeiras, o que pareceu irónico tendo em conta o tipo de comentários ofensivos que o marido fazia através do Twitter.

Pelo meio, Melania ainda deu uma ou outra entrevista a solo, em que desvalorizou os comentários mais vulgares do marido sobre as mulheres, embora os tenha censurado, e criticou o facto de a comunicação social ter sido tão dura durante a campanha.

Nos últimos meses, surgiram fotografias antigas dos tempos em que modelo, algumas delas em que aparecia nua e discutiu-se a possibilidade de poder ter entrado e trabalhado de forma ilegal nos Estados Unidos.

Até da imprensa eslovena Melania teve razões de queixa, tendo decidido processar um jornalista que escreveu que trabalhou como acompanhante nos anos 1990.

Melania Knavs nasceu a 26 de abril de 1970 e viveu a infância num bloco de apartamentos de Sevnica, numa Eslovénia que fazia ainda parte da Jugoslávia e era liderada pelo general Tito. Já adolescente, segundo conta a Reuters, a família mudou-se para uma casa modesta de dois pisos acima do rio Sava, nos arredores da cidade.

O pai, segundo apurou a Reuters junto de habitantes de Sevnica, vendia peças de automóveis, e a mãe trabalhava numa fábrica de roupa para crianças que era muito popular antes do fim da Jugoslávia.

Alegadamente licenciada em Design e Arquitetura pela Universidade de Liubliana - surgiram dúvidas sobre a sua formação durante a campanha e até o seu site oficial deixou de funcionar por causa disso -, Melania tornou-se modelo, o que acabou por levá-la até Milão e daí para os Estados Unidos. Terá obtido o "cartão verde" (visto de residência permanente) em março de 2001. Cinco anos mais tarde, e um depois de casar com Trump, tornou-se cidadã dos Estados Unidos.

A eslovena - que assim será a primeira primeira-dama nascida no estrangeiro em quase dois séculos, desde Louisa Adams, a mulher de John Quincy Adams, que nasceu em Inglaterra ainda antes da independência dos EUA -conheceu Donald Trump em 1998 e casou-se com ele em janeiro de 2005. É a terceira mulher do milionário - foi casado com a checa Ivana Trump e com a atriz Marla Maples - e têm um filho em comum, Baron, de 10 anos.

Um antigo assessor do presidente eleito chegou a dizer que Melania Trump poderia vir a ser "a primeira-dama mais glamorosa desde Jackie Kennedy", mas herdar o cargo de Michelle Obama também não será tarefa fácil.

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