CUP diz que não há diálogo e quer república catalã proclamada já

Formação que garante maioria independentista no parlamento catalão pressiona líder do governo, Carles Puigdemont, sobre resposta a dar, até amanhã, a Mariano Rajoy

A Candidatura de Unidad Popular (CUP), formação independentista catalã que não faz parte do governo mas apoia o executivo liderado pelo presidente Carles Puigdemont, exigiu ontem que ele responda já ao primeiro-ministro espanhol dizendo que declara de forma efetiva e sem equívocos a independência da república da Catalunha . Mariano Rajoy deu até amanhã de manhã para que o chefe do governo catalão diga o que é que fez afinal na passada terça-feira: declarou ou não a independência da Catalunha de forma unilateral? Isto porque, apesar de assinar uma declaração unilateral de independência, Puigdemont disse que esta ficava suspensa durante um mês para possibilitar um diálogo com Madrid.

"Não há diálogo possível, não há mediação possível. Pedimos e apelamos que a resposta seja coerente com as expectativas geradas e os votos do referendo", disse ontem aos jornalistas Núria Gibert, porta-voz do secretariado nacional da CUP. Falando em Barcelona, a mesma responsável sublinhou: "Não daremos aval à confusão. O resultado das urnas deve ser resolvido imediatamente com a proclamação, de facto, da república". A porta-voz da CUP anunciou ainda a organização de manifestações durante a próxima semana para exigir respeito pelo resultado do referendo. 2,2 milhões de eleitores, em 5,3 milhões de inscritos, votaram na consulta de dia 1. Desses, 90% votaram a favor de uma república catalã independente e da desvinculação de Espanha.

A CUP tem 10 deputados no parlamento catalão, o que assegura uma maioria independentista, uma vez que a Junts pel Sí, lista que junta a Convergência Democrática da Catalunha de Puigdemont e a Esquerda Republicana da Catalunha de Oriol Junqueras tem 61 (a maioria absoluta situa-se nos 68). Se a CUP retirar o apoio ao governo, será muito difícil a Puigdemont e aprovar o que quer que seja daqui para a frente. Tentando disfarçar a divisão entre independentistas, Junqueras apelou ontem à união em torno do líder catalão. "Queremos reafirmar o nosso apoio ao presidente da Generalitat para que leve a cabo o mandato do dia 1. Podem confiar em nós, na nossa perseverança", disse o também vice-presidente do Govern, no Conselho Nacional da ERC.

Perante o voto do dia 1 e a consequente, confusa e suspensa declaração da independência, Rajoy, com apoio do PSOE e Ciudadanos, anunciou que ativará o artigo 155.º da Constituição espanhola se a separação catalã for para a frente. Mas também ele decidiu esperar para ver e deu tempo a Puigdemont para que clarifique. O líder espanhol deu até amanhã às 10.00 (menos uma hora em Lisboa) para que o líder catalão confirme se declarou ou não a independência (a ausência de resposta será assumida como um sim). Depois, Rajoy dará até quinta-feira a Puigdemont para que reponha a legalidade. Se tal não acontecer, ativará então o artigo 155.º da Constituição. Este prevê que o Estado central chame a si os poderes que agora estão com a autonomia e poderá, em última análise, levar à convocação de eleições regionais antecipadas. Mas a verdade é que, em 40 anos, nunca foi usado.

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