Cruz Vermelha perto de atingir os 2 milhões de euros em donativos

O segundo avião da Cruz Vermelha partiu este domingo, perto das 21.30, para Moçambique. Desta vez a missão é ajudar a instalar uma maternidade e também ajudar a combater infeções na zona afetada pelo ciclone Idai

Mais de três dezenas de pessoas seguiram este domingo a bordo do segundo avião fretado pela Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) com destino direito à Beira. São médicos, enfermeiras-parteiras, operacionais e coordenadores de logística, também jornalistas porque, sublinhou antes da partida o presidente da instituição, Francisco George, "é preciso continuar a falar da Beira".

O responsável reforçou que vão montar uma verdadeira maternidade ao lado do centro de saúde. " É a primeira vez que transportamos uma maternidade e tudo com equipamento novo. Acabada a primeira fase, a de busca e salvamento, segue-se a fase de saúde pública, sendo a terceira a de recuperação", declarou Francisco George, afirmando que a CVP vai ficar no terreno até final do ano. O presidente da instituição indicou que a CVP está a atingir os 2 milhões de euros em donativos, garantindo que tudo será alvo de uma auditoria externa, algo que diz estar a acontecer pela primeira vez na história desta organização.

O avião comercial, fretado à EuroAtlantic, por 205 mil euros, transporta 33 toneladas de artigos e medicamentos para hospital de campanha da CVP, em Macurungo, na Beira, que funciona em articulação com o centro de saúde local e a organização Médicos do Mundo. A estrutura inclui as valências de obstetrícia com sala de partos, consultas externas, doente crítico e sala de observação.

Carla Paiva, diretora executiva dos Médicos do Mundo, segue no avião com outros cinco elementos da organização não-governamental: dois médicos, uma enfermeira e dois técnicos de logística e de operações. "É uma equipa de reforço, temos quatro elementos na Beira e vão ficar mais dois, os restantes regressam. A prioridade é adequar as respostas à necessidade da população. Vamos fazer um levantamento exaustivo das necessidades para que as nossas respostas sejam as adequadas", disse, ao DN antes de o avião descolar.

"Viagem Operação Embondeiro por Moçambique", assim se intitula a missão, tem como foco a saúde materno-infantil, também o tratamento e prevenção de doenças. A cólera, a hepatite A, a rubéola e a febre tifoide são os principais problemas de saúde. A equipa especializada em saúde materno-infantil é liderada pela enfermeira Maria de Jesus Maceiras, da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.

Seguem 1,5 toneladas de kits de partos (comprados à Holanda por 24 mil euros) e 15 toneladas de artigos para assistir os partos, como equipamentos de viseira para proteção das parteiras, ferros, fórceps, desinfetantes, medicamentos, dois simuladores manequins para formação, sete marquesas de parto equipadas com apoios de perna, um ecógrafo, roupa de recém-nascido, uma máquina purificadora de água e fraldas.

Muito daquele material foi financiado pelo Grupo Jerónimo Martins que, com a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, suportaram os custos do voo charter, cuja chegada à Beira, principal zona afetada pelo ciclone Idai, se prevê para as 08.00 Locais (06.00 em Lisboa).

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, também passou esta tarde por Figo Maduro para cumprimentar as mais de três de dezenas de pessoas que vão participar nesta segunda fase da missão da CVP em Moçambique. E agradecer o seu trabalho e esforço em nome dos deputados. Neste momento as autoridades moçambicanas ainda estão a fazer um levantamento de todos os danos e carências e o número de vítimas mortais do Idai está, atualmente, em 501.

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