Críticas de Sanders ameaçam convenção da unidade

Ex-rival de Hillary Clinton lamentou escolha de Tim Kaine como vice e pediu demissão de presidente do Partido Democrata.

Depois de uma semana dominada por Donald Trump e o show da convenção republicana, hoje é a hora de os democratas subirem ao palco na convenção que vai confirmar Hillary Clinton como a primeira mulher candidata à Casa Branca por um dos principais partidos. Pelo Wells Fargo Center de Filadélfia vão passar desde o presidente Barack Obama ao ex-rival de Hillary Bernie Sanders, da atriz Eva Longoria ao antigo presidente Bill Clinton. Na quinta-feira será Chelsea Clinton a apresentar a mãe, cujo discurso de nomeação se espera acabar com as divisões com os apoiantes de Sanders e unir o partido para a batalha contra o republicano Trump nas eleições de novembro.

O objetivo principal da candidata democrata é claro: evitar que a convenção democrata repita os momentos de tensão e divisão da sua homóloga republicana. Uma hipótese que não parece assim tão remota. Afinal, Bernie Sanders não só criticou a escolha da ex-rival para vice-presidente como exigiu a demissão da presidente do partido, Debbie Wasserman. Numa aparição no programa This Week da ABC News, o senador do Vermont confessou que teria preferido ver Elizabeth Warren, senador do Massachusetts e feroz crítica de Wall Street, no ticket democrata, em vez de Kaine. "Conheço o Tim há muitos anos. É ótima pessoa. Mas é mais conservador do que eu. Teria preferido que a secretária Clinton escolhesse alguém como Elizabeth Warren? Sim, teria", explicou Sanders, um autodenominado "socialista democrático" cujo discurso antissistema conquistou os jovens e a classe média nas primárias.

Quanto a Wasserman, o senador disse não estar "chocado, mas sim desiludido" depois de uma fuga de mais de 19 mil emails, divulgados pela Wikileaks, parecer vir confirmar que a Comissão Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) favoreceu a candidatura de Hillary durante as primárias - situação que a equipa de Sanders já denunciara. Wasserman anunciou que se vai demitir e não irá presidir à convenção de Filadélfia.

Perante um início de convenção menos pacífico e conciliador do que a ex-primeira dama gostaria, a campanha de Hillary Clinton denunciou o que diz ser o envolvimento da Rússia na divulgação dos emails pela Wikileaks. "Há provas de que pessoas ligadas ao Estado russo entraram na Comissão Nacional Democrata, roubaram estes emails e temos peritos a dizer que estão a divulgar estes emails para ajudar Donald Trump", garantiu à CNN o gestor de campanha, Robby Mook. A equipa de Trump reagiu em comunicado enviado ao Washington Post, classificando estas declarações como "uma piada".

Em junho, hackers russos terão entrado nos computadores da DNC, um ataque informático que a campanha de Hillary agora relacionado com a fuga dos emails. Quanto ao envolvimento de Moscovo, surge depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter vindo manifestar a sua admiração por Trump e de o candidato republicano ter retribuído os elogios.

Sondagens, protestos e um apoio

A perder terreno nas sondagens nacionais - a última, da Gravis, mostra mesmo Donald Trump à frente, com 51% das intenções de voto, contra 49% para a rival democrata -, Hillary sabe que não basta atacar o candidato republicano para ganhar em novembro. Apesar de toda a sua experiência - foi primeira dama, senadora e secretária de Estado -, a candidata democrata continua impopular. E se conta com Tim Kaine para conquistar o voto dos homens brancos e dos independentes, precisa ainda das mulheres. Apesar de o FBI ter concluído que não fez nada de ilegal quando, como chefe da diplomacia (2009-2013) usou o email pessoal, uma sondagem recente para a CBS e o New York Times mostra que 67% dos inquiridos dizem não confiar nela.

Outro dos desafios de Hillary são os protestos. Apesar da preocupação das forças de segurança, a convenção republicana decorreu na semana passada sem incidentes de relevo. Para estes dias em Filadélfia são esperados mais de 50 mil manifestantes que se deverão concentrar no FDR Park, em frente ao Wells Fargo Center onde se reúnem os delegados democratas. E a larga maioria dos que irão participar nos protestos deverão ser apoiantes de Sanders. Mas também estão previstas manifestações de grupos anti-gays ou pela paz mundial. A organização Black Lives Matter, que tem organizado protestos contra as mortes de jovens negros por polícias, ainda não esclareceu se irá manifestar-se durante a convenção. Na zona em torno da convenção estão proibidas mochilas, balões, paus de selfie, armas e explosivos.

A poucas horas do início da convenção, Hillary recebeu ontem uma boa notícia: entre os oradores estará Michael Bloomberg. O ex-mayor de Nova Iorque, que chegou a ponderar uma candidatura a estas presidenciais, irá dar o seu apoio à ex-primeira dama.

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