Cristãos voltam à missa perto de Mossul

Qaraqosh era um dos últimos refúgios para os cristãos no norte do Iraque, antes de ser ocupada, há dois anos

Entre paredes queimadas e em frente a um altar em ruínas, dezenas de cristãos iraquianos assistiram este domingo à missa na Igreja da Imaculada Conceição em Qaraqosh, pela primeira vez desde que esta área foi recapturada ao Estado islâmico.

Os sinos das igrejas soaram na cidade, que já foi a principal cidade cristã do Iraque, uns quilómetros a sudeste de Mossul, onde as tropas iraquianas, apoiadas pelas forças norte-americanas, têm forçado o recuo dos extremistas do grupo Estado Islâmico, na batalha pela reconquista da cidade.

"Hoje Qaraqosh está livre do Daesh (Estado Islâmico)", disse o arcebispo católico de Mossul aos fiéis - Qaraqosh era a sede do Arcebispado de Mossul e era onde estava situado o seminário maior e diversas congregações religiosas femininas, era também um dos últimos refúgios para os cristãos no norte do Iraque, antes de ser ocupada, há dois anos.

O Estado Islâmico tem elegido como alvos os fiéis e locais religiosos de comunidades minoritárias no Iraque e na Síria, dos cristãos aos yazidis. Quando assumiu o controle de Mossul, há dois anos, deu um ultimato aos cristãos: pagar um imposto, converterem-se ao Islão, ou morrerem pela espada.

A maioria abandonou suas casas e fugiu para a região autónoma curda, abandonando um dos primeiros centros do cristianismo. Aliás, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre estima que mais de 120 cristãos tenham fugido do país.

"O nosso papel hoje é remover todos os vestígios do Daesh", disse o arcebispo. "Isso inclui apagar sedição, divisão e conflitos, que nos vitimaram", disse o arcebispo, que nasceu em Qaraqosh.

"Conflitos políticos e sectários, que separam um homem do outro, entre governante e seguidor, estas mentalidades têm de ser mudadas", continuou.

O cristianismo no norte do Iraque remonta ao primeiro século depois no nascimento de Cristo. O número de cristãos caiu drasticamente durante a violência que se seguiu à queda de Saddam Hussein em 2003, e a tomada de Mossul pelo Estado Islâmico há dois anos purgou a cidade de cristãos pela primeira vez em dois milénios.

Com Reuters

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