Crise entre CSU e CDU. O que diz o SPD?

Andreas Nahles, líder do SPD, partido que, tal como a CSU de Horst Seehofer, é aliado da CDU de Angela Merkel na Grande Coligação, indicou aos jornalistas que as coisas não podem continuar assim

A CDU de Angela Merkel "está no limite" devido à crise com a CSU por causa das migrações. Quem o disse foi o presidente do Bundestag e ex-ministro das Finanças da chanceler, Wolfgang Schäuble, numa reunião interna dos democratas-cristãos, avançou a Reuters.

Na origem desta crise interna está a contestação do líder da CSU e ministro do Interior, Horst Seehofer, à política migratória de Merkel. Depois de se ter reunido com a chanceler durante oito horas, no domingo, pôs o lugar à disposição. Hoje os dois políticos voltam a reunir-se. A partir das 17.00 (menos uma hora em Lisboa). Antes disso, instado a esclarecer a situação, o líder da congénere bávara da CDU afirmou aos jornalistas, em Munique: "Eu disse que iria esvaziar os meus dois gabinetes nos próximos três dias".

Seehofer e a CSU estão pressionados pela subida nas intenções de voto do partido de extrema-direita AfD. A pressão é muita, porque a Baviera vai a votos a 14 de outubro. Muitos dos migrantes que chegaram à Alemanha fizeram-no via Áustria. Precisamente pela Baviera.

Mas o que diz sobre tudo isto o outro parceiro de governo de Merkel, na Grande Coligação, o SPD? "[A CSU] está numa viagem de ego perigosa" e os dirigentes sociais-democratas não conseguem parar de abanar as suas cabeças por causa da atual crise, disse a líder do SPD Andreas Nahles, citada esta segunda-feira pelo site da rádio alemã Deutsche Welle.

"O meu otimismo era maior há dois dias", confessou, acrescentando que as coisas não podem continuar assim. Isto quando questionada pelos jornalistas sobre até quando é que o SPD vai aguentar esta luta entre CDU e CSU por causa das migrações. Os sociais-democratas defenderam a reunião de um comité da Grande Coligação para debater a atual crise política e o tema das migrações. Nahles sublinhou que o SPD "defende uma política humanitária para os refugiados mas com uma dose de realismo saudável".

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, também ele do SPD, considerou, por seu lado, que este desentendimento é mau tanto para a imagem da Alemanha como do governo. "Acho que a forma como este debate está a ser conduzido é prejudicial, não só para a imagem da Alemanha, mas antes de mais para a do seu governo", declarou o chefe da diplomacia alemã, citado pela DW.

Numa entrevista à mesma rádio, Anke Domscheidt-Berge, deputada do Partido da Esquerda, criticou o líder da CSU: "Seehofer está a agir de uma forma que põe em perigo a democracia, numa altura em que a democracia e a confiança nas instituições têm que ser fortalecidas".

Os liberais-democratas, por seu lado, que nas últimas legislativas federais alemãs, de setembro, voltaram ao Bundestag foram mais longe e defenderam uma "cimeira sobre migrações" com representantes a nível federal, regional e local. O líder do FDP, Christian Lindner, considerou tal reunião necessária dada a incapacidade do governo em resolver o problema das migrações e refugiados.

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