Crime sem castigo. Médico traficava bebés mas culpa prescreveu

Ginecologista espanhol foi dado como culpado de tráfico de bebés durante a ditadura de Franco por um tribunal de Madrid, mas como os crimes prescreveram acabou sem condenação

O médico reformado Eduardo Vela, de 85 anos, foi dado como culpado de tráfico de bebés pelo Tribunal Provincial de Madrid, durante a ditadura de Franco, mas como os crimes prescreveram acabou sem condenação, revelou esta segunda-feira o jornal espanhol El País.

Segundo o jornal, Eduardo Vela foi considerado o autor dos três delitos de que ia acusado, de detenção ilegal, suposição de nascimento e falsificação de documentos. O ginecologista, que se apresentou de cadeira de rodas e que sofrerá de Alzheimer, segundo o seu advogado, enfrentava uma pena de cadeia de 11 anos.

O Ministério Público espanhol pedia ainda uma indemnização de 150 000 euros para Inés Madrigal, a criança que terá sido adotada ilegalmente em 1969 e que denunciou o médico. A mulher rejeitava a indemnização, preferindo uma condenação de 13 anos. "Não me interessa nem o dinheiro nem ver Vela na prisão", disse, citada pelo El País. "Quero que isto sirva para abrir outros casos fechados", explicou antes de ouvir a sentença.

Eduardo Vela trabalhou entre 1961 e 1981 na clínica madrilena de San Ramón, que o El País descreve como o "epicentro das denúncias de roubo de bebés". O seu nome era o mais citado por mães que fizeram chegar os seus relatos à justiça, que tinham sido convencidas de que os seus filhos tinham morrido no parto, quando afinal tinham sido entregues a outras famílias. Segundo a mãe adotiva de Inés Madrigal, Inés Pérez (que morreu em 2016, aos 93 anos), o médico entregou-lhe a criança "como presente", em 1969, e que a tinha previamente conseguido a fingir a gravidez usando uma almofada.

Inés Pérez tinha então 46 anos quando recolheu o bebé na clínica. Sem poder ter filhos, a mulher foi registada como mãe biológica num documento assinado por Vela como um dos médicos que tinha assistido ao parto que não existiu. O advogado do médico disse em tribunal que Eduardo terá assinado "enganado". Na primeira sessão, Vela disse que não se recordava.

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