Criador de gado é o novo presidente do Panamá

Ainda sob o efeito do escândalo dos Panama Papers, o país da América Central viveu campanha centrada no tema da corrupção. Nito Cortizo prometeu não roubar e ficou dois pontos à frente do principal opositor.

Um criador de gado profissional e experiente político vai ser o novo presidente do Panamá. O social-democrata Laurentino "Nito" Cortizo venceu as eleições presidenciais, ao obter 33% dos votos no domingo, contra 31% do candidato da direita Rómulo Roux e 19,3% do independente Ricardo Lombana.

O empresário e pecuário de 66 anos será chefe de Estado por um mandato único de cinco anos do país famoso pelo seu canal e pelo setor financeiro acusado de proporcionar um paraíso para a evasão fiscal. Conhecido por Nito, Laurentino Cortizo é um apaixonado pelo aperfeiçoamento da raça bovina e nada lhe escapa no processo, da ordenha à vacinação do seu gado.

O pecuarista concentrou a campanha no combate às desigualdades e à pobreza, e prometeu melhorar o sistema de ensino, reformar o Estado e desenvolver a economia. Comprometeu-se em criar os ministérios da Cultura e da Mulher, fazer da agricultura um assunto de Estado e levar à justiça as empresas envolvidas em corrupção.

A corrupção tem sido um tema central naquele país. Três anos após a revelação dos Panama Papers, o país de 3,8 milhões de habitantes ainda não conseguiu apagar a imagem de um paraíso fiscal e não foi poupado pelo escândalo dos subornos distribuídos pela Odebrecht, a empresa brasileira de obras públicas. Os opositores de Cortizo acusam-no de estar rodeado de deputados envolvidos em escândalos de corrupção. Nito Cortizo respondeu que ninguém será "intocável" durante o seu mandato. E durante os dois meses da campanha repetiu a ideia de que vai governar "sem roubar".

Mas a mancha da corrupção atingiu também o principal opositor. O homem que ficou a cerca de 40 mil votos de distância, Rómulo Roux, do Partido da Mudança Democrática, recebeu o apoio do ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), que se encontra preso.

Campanha de canoa

Nito Cortizo foi ministro do Desenvolvimento Agrícola no governo do presidente Martin Torrijos (2004-2009). Demitiu-se após 15 meses porque recusou-se a flexibilizar os padrões sanitários impostos pelo Tratado de Livre Comércio negociado com os Estados Unidos.

O seu percurso político iniciou-se em 1994, quando foi eleito deputado na província de Colón (costa das Caraíbas). Logo então fez-se notar, ao ir ao encontro dos eleitores a cavalo ou de canoa. Anos depois, entre 2000 e 2001, foi presidente da Assembleia Nacional.

De origem espanhola e grega, Nito Cortizo conseguiu trazer o Partido Revolucionário Democrático (PRD, social-democrata) de regresso à ribalta, após dez anos na oposição.

O novo presidente do Panamá estudou comércio internacional nos Estados Unidos, onde trabalhou para a Organização dos Estados Americanos (OEA). Foi lá que conheceu a sua mulher, Yazmín Colón, com quem tem dois filhos.

Cortizo vai suceder a Juan Carlos Varela, cuja popularidade foi afetada pelo mau desempenho da economia, pelos escândalos de corrupção e pela crise nos setores da saúde e da justiça.

Os panamianos foram chamados igualmente a escolher 71 deputados, 81 presidentes de Câmara e 700 representantes locais.

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