Covid-19: um novo capítulo para a inteligência artificial

A inteligência artificial (AI) está a revelar-se uma ferramenta essencial para desenvolver estratégias específicas de prevenção e combate a doenças. Uma ajuda preciosa para a saúde pública.

Com as atenções focadas para tentar mitigar os efeitos do Covid-19 à escala mundial, nunca antes se apostou tanto na potencialidade da Inteligência Artificial para ajudar a conter doenças infecciosas.

China e Espanha já estão a usar drones para patrulhar as ruas, na tentativa de persuadir as populações a não saírem de casa. Já a Coreia do Sul decidiu recorrer a estas aeronaves não tripuladas para desinfetar a cidade de Daegu, o epicentro da doença. A startup Antworks, provedora global de soluções de inteligência artificial e automação inteligente, correu em ajuda da China no auge da epidemia. Com a população fechada em casa, medicamentos e amostras laboratoriais foram transportados e entregues por drone.

10 exemplos de como a IA, a ciência de dados e a tecnologia estão a ser usados para combater o covid-19:

1. Inteligência Artificial para identificar, despistar e prever surtos

Quanto melhor conseguirmos rastrear o vírus, mais rapidamente podemos combatê-lo. Ao examinar minuciosamente notícias, plataformas de redes sociais e documentos do governo, a Inteligência artificial pode aprender a detetar um surto. Identificar riscos de doenças infecciosas recorrendo a IA é precisamente o serviço que a startup canadiana BlueDot fornece. De fato, a IA da BlueDot alertou para a ameaça do novo coronavírus vários dias antes de os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças - ou até mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) - terem começado a emitir alertas.

2. IA para ajudar a diagnosticar o vírus

A empresa de inteligência artificial Infervision desenvolveu uma solução a pensar no covid-19 que ajuda os profissionais de saúde na linha da frente a detetar e monitorizar a doença com eficácia. As unidades de radiologia hospitalares estão à beira de rutura com o aumento de casos de coronavírus. Esta solução melhora a velocidade do diagnóstico das tomografias computorizadas (TC). A gigante chinesa de comércio eletrónico Alibaba também desenvolveu um sistema recorrendo à inteligência artificial que assegura ter uma precisão de 96% no diagnóstico do vírus; isto em apenas alguns segundos.

3. Processar os pedidos de assistência médica

Não são apenas os hospitais, laboratórios e centros de saúde que estão sobrecarregados. Também as centrais de atendimento estão à beira de rutura, a tentar gerir o aumento progressivo de chamadas. Uma plataforma blockchain oferecida pela Ant Financial, a unicórnio mais valiosa do mundo, está a ajudar a acelerar o processamento de chamadas telefónicas, reduzindo ainda a interação entre pacientes e pessoal hospitalar.

4. Drones entregam medicamentos ao domicílio

Uma das formas mais seguras e rápidas de fazer chegar medicamentos ao seu destino é através de drones. A Terra Drone está a usar os seus veículos aéreos não tripulados para transportar fármacos, amostras laboratoriais e equipamentos entre o Centro de Controlo de Doenças do condado de Xinchang, no sudoeste da China (uma das áreas mais afetadas pela pandemia) e o People's Hospital. Os drones também são utilizados ​​para patrulhar espaços públicos, garantir que a população não sai à rua, cumprindo a quarentena, e na recolha de imagens térmicas.

5. Robôs esterilizam, entregam alimentos e realizam outras tarefas

Os robôs não são suscetíveis de contrair o vírus; portanto estão a ser utilizados para uma multiplicidade de tarefas, como limpar, esterilizar e fornecer alimentos e medicamentos, reduzindo o contacto entre humanos. Os robôs UVD da Blue Ocean Robotics usam luz ultravioleta para matar bactérias e vírus. Na China, a Pudu Technology colocou os seus robôs, que normalmente são usados ​no setor de catering, em mais de 40 hospitais em todo o país.

6. Desenvolver fármacos

A divisão DeepMind da Google usou os seus mais recentes algoritmos de AI e o seu poder de computação para estudar as proteínas do vírus Covid-19, e publicou as descobertas para ajudar especialistas a desenvolverem tratamentos. A BenevolentAI usa sistemas de inteligência artificial para criar medicamentos capazes de combater as doenças mais difíceis do mundo e está agora focada em combater o coronavírus. Esta é a primeira vez que a empresa concentra o seu produto em doenças infecciosas. Nas semanas seguintes ao surto, usou as suas capacidades preditivas para sugerir o uso de medicamentos já existentes que poderiam mostrar-se eficazes no tratamento dos pacientes.

7. Têxteis inteligentes oferecem proteção

Empresas como a startup israelita Sonovia esperam munir os sistemas de saúde com máscaras faciais fabricadas com o seu tecido anti-patogénico e antibacteriano à base de nanopartículas de óxido de ferro.

8. IA para identificar indivíduos infetados

Embora seja um uso controverso da tecnologia e da inteligência artificial, o sofisticado sistema de vigilância da China usou a tecnologia de reconhecimento facial e o software de deteção de temperatura do SenseTime para identificar pessoas com um quadro febril e, por conseguinte, suscetíveis de estarem infetadas. Tecnologias similares equipam os "capacetes inteligentes" utilizados pelas autoridades da província de Sichuan para identificar pessoas com febre. O governo chinês também desenvolveu um sistema de monitorização chamado Health Code, que usa big data para identificar e avaliar o risco de cada indivíduo com base no seu histórico de viagens e potencial contacto com pessoas portadoras do vírus. É atribuído aos cidadãos um código de cores (vermelho, amarelo ou verde), a que podem aceder através de aplicações populares - WeChat ou Alipay - para indicar se devem ficar em quarentena ou se estão autorizados a circular livremente.

9. Chatbots para compartilhar informações

A Tencent opera o WeChat e a população pode aceder a serviços de saúde online gratuitos através da plataforma. Os chatbots (programas de computador que tentam simular um ser humano na conversação com pessoas) também estão a revelar-se ferramentas essenciais de comunicação para que os fornecedores de serviços, sobretudo do setor de viagens e turismo, mantenham os viajantes atualizados sobre os procedimentos e interrupções de viagens.

10. Supercomputadores a trabalhar numa vacina contra o coronavírus

Os recursos de computação em nuvem e os supercomputadores de empresas de tecnologia, como a Tencent, DiDi e Huawei, estão a ser usados ​por investigadores para acelerar o desenvolvimento de uma cura ou vacina para o vírus. A velocidade de executar cálculos e modelar soluções é muito maior do que o processamento de um computador comum.

Numa pandemia como a do covid-19, a tecnologia, inteligência artificial e a ciência de dados tornaram-se críticas para ajudar as sociedades a lidar com o surto.

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