Coreia do Norte insiste que não tem casos de covid-19. Especialistas desconfiam

Apesar da proximidade com a China, onde começou o surto do novo coronavírus, o país liderado por Kim Jong-un garante não ter registos de casos de infeção.

A Coreia do Norte continua totalmente livre do novo coronavírus, insistiu um alto funcionário de saúde de Pyongyang, apesar do crescente ceticismo internacional e numa altura em que há quase um milhão de casos de infeção confirmados em todo o mundo.

Já isolado do mundo e com armas nucleares, o país encerrou rapidamente as suas fronteiras após o novo coronavírus ter sido detetado pela primeira vez na vizinha China, em dezembro do ano passado, tendo imposto medidas restritas de contenção.

Pak Myong Su, diretor do departamento antiepidémico do centro de emergência contra as epidemias da Coreia do Norte, insistiu que os esforços do país foram totalmente bem-sucedidos.

"Nenhuma pessoa foi infetada com o novo coronavírus no nosso país até agora", disse Pak à AFP.

"Realizamos medidas preventivas e científicas, como inspeções e quarentena a todas as pessoas que entram no nosso país e desinfetamos completamente todas as mercadorias, além de fechar fronteiras, as rotas marítimas e aéreas".

Quase todos os outros países relataram casos de covid-19, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a afirmar, na quarta-feira, que havia quase um milhão de pessoas infetadas em todo o mundo.

Além da China, também a Coreia do Sul foi bastante afetada com a epidemia do novo coronavírus, que já matou mais de 45 000 pessoas em todo o mundo.

Especialistas afirmaram que a Coreia do Norte é particularmente vulnerável ao novo vírus devido ao seu fraco sistema de saúde, sendo que os desertores do regime de Kim Jong-un acusam Pyongyang de encobrir o surto.

"Ouvi dizer que há muitas mortes na Coreia do Norte, mas as autoridades não estão a dizer que são causadas pelo novo coronavírus", diz norte-coreano que fugiu do país

O principal comandante militar dos EUA na Coreia do Sul, o general Robert Abrams, disse em março que estava "bastante certo" de que a Coreia do Norte tinha casos confirmados de covid-19.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também disse que a Coreia do Norte "está a passar por algo" e ofereceu "cooperação no trabalho contra a epidemia", numa carta que endereçou ao líder norte-coreano Kim Jong-un.

Choi Jung-hun, um ex-médico norte-coreano que fugiu para o sul em 2012, disse à AFP: "Ouvi dizer que há muitas mortes na Coreia do Norte, mas as autoridades não estão a dizer que são causadas pelo novo coronavírus".

Como parte de seus esforços contra a propagação do vírus, Pyongyang colocou milhares de pessoas e centenas de estrangeiros - incluindo diplomatas - em isolamento e criou unidades de desinfeção, com os media estatais a exortar constantemente os cidadãos a obedecer às orientações das autoridades de saúde.

Imagens que foram publicadas mostram o uso universal das máscaras no país, com exceção do líder Kim Jong-un, que nunca foi visto a usar equipamento de proteção individual.

Mais recentemente, os assessores também foram vistos sem máscaras, embora Choi tenha dito que isso não indicava que os esforços de contenção da Coreia Norte tinham sido bem-sucedidos.

Coreia do Norte pediu ajuda internacional

Pyongyang - que está sujeito a várias sanções internacionais no âmbito dos programas de mísseis nucleares e balísticos - procurou ajuda para fazer face à pandemia.

Em fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que forneceu a Pyongyang 1500 kits de testes de diagnóstico para o novo coronavírus a pedido do país de Kim Jong-un, "devido ao risco" persistente de covid-19.

De referir que as Nações Unidas concederam algumas isenções nas sanções para que organizações como Médicos Sem Fronteiras e a UNICEF pudessem fornecer vários materiais para ajudar o país na luta contra o novo vírus, como kits de diagnóstico, máscaras, equipamentos de proteção e desinfetantes.

A UNICEF confirmou que a entrega de materiais - solicitada pelo Ministério da Saúde da Coreia do Norte - chegou a Pyongyang via China na semana passada.

A OMS pretende aplicar cerca de 800 mil euros para apoiar as medidas de Pyongyang no combate à pandemia, de acordo com dados publicados do gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

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