Corbyn não chega a acordo com May: "Negociações foram o mais longe que podiam"

Líder da oposição diz que a debilidade e instabilidade do governo significa que não existe confiança na sua capacidade de garantir qualquer acordo negociado.

O líder da oposição britânica, Jeremy Corbyn, escreveu uma carta à primeira-ministra Theresa May a dizer que as negociações em relação ao acordo de Brexit "foram o mais longe que podiam ir" e que é impossível um compromisso.

"Gostaria de deixar escrito que as negociações foram conduzidas de boa-fé por ambas as parte e agradecer a todos os envolvidos nos esforços para chegar a um consenso. As negociações foram detalhadas, construtivas e envolveram um esforço considerável de ambas as nossas equipas", escreveu Corbyn numa carta que divulgou nas redes sociais.

"Contudo, tornou-se claro que, apesar de haver áreas em que é possível um compromisso, não somos capazes de ultrapassar lacunas importantes entre nós", acrescentou.

"Ainda mais importante, a crescente debilidade e instabilidade do governo significa que não existe confiança na capcidade de garantir o que for acordado entre nós", indicou Corbyn.

Em causa o facto de a primeira-ministra admitir já deixar a chefia do Partido Conservador (e consequentemente do governo) no início de junho, após nova votação do acordo de Brexit (que já foi chumbado três vezes no parlamento britânico). "A posição do governo tornou-se ainda mais instável e a sua autoridade sofrer erosão".

O líder do Labour referiu ainda que, após seis semanas de negociações, é justo que o governo queira voltar a testar a vontade do Parlamento, dizendo que irá considerar a proposta em cima da mesa. "Contudo, devo reiterar que, sem mudanças significativas, vamos continuar a opor-nos ao acordo do governo já que não acreditamos que vá salvaguardar empregos, condições de vida e a indústria do Reino Unido", concluiu.

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