Conquistou a Nova Democracia e agora quer derrubar Tsipras

Membro de uma dinastia política, Kyriakos Mitsotakis pôs o partido à frente das sondagens pouco após chegar à liderança. Facto inédito desde que Syriza chegou ao poder há um ano

A Nova Democracia entrou neste novo ano apostada em seguir um rumo de maior confronto com o governo do Syriza. O primeiro passo foi dado no dia 10, quando os militantes escolheram Kyriakos Mitsotakis como o seu novo líder, esperando que este herdeiro de umas das dinastias políticas da Grécia, e que se apresenta como anti-Tsipras, traga melhor sorte aos conservadores e consiga desafiar o primeiro-ministro, que, um ano após ter chegado ao poder, continua com uma elevada taxa de popularidade, apesar de ter cedido aos credores internacionais e enveredado pela via da austeridade.

O filho do antigo primeiro-ministro Konstantinos Mitsotakis ficou atrás do líder interino, Vangelis Meimarakis, na primeira volta das eleições internas, a 20 de dezembro, uma corrida então a quatro. Menos de um mês depois conquistou os militantes conservadores, obtendo 52,4% contra os 46,7% de Meimarakis. "Unidos avançaremos para a expansão e rejuvenescimento criativo do partido, para que a Nova Democracia se torne o grande partido de centro-direita... para que seja uma alternativa de confiança na liderança do país", afirmou Kyriakos pouco depois de ser conhecida a sua vitória, garantindo que o partido irá fazer frente "ao populismo de um governo ineficiente".

Ao contrário dos anteriores líderes da Nova Democracia, Kyriakos Mitsotakis, de 47 anos, é visto como um verdadeiro reformador. Tem atacado o populismo e o clientelismo e mostra-se empenhado em mudar a cultura política da Grécia, bem como acabar com a burocracia e a ineficiência. Dois desejos que são música para os ouvidos dos gregos e que poderão ameaçar a popularidade de Alexis Tsipras. Contra si, na perspetiva do grego comum, tem o facto de ser um neoliberal que acredita no mercado livre e no fim do Estado social.

O primeiro embate entre Mitsotakis e Tsipras, a quem já chamou mentiroso, é a reforma do sistema de pensões, um dos requisitos para a conclusão da primeira avaliação do terceiro resgate a Atenas e que já levou à marcação de uma greve geral para 4 de fevereiro.

Falando pela primeira vez como líder aos deputados do partido - a Nova Democracia foi o segundo partido mais votado em setembro, elegendo 75 representantes, sendo um deles Mitsotakis -, o antigo ministro da Reforma Administrativa garantiu que os conservadores irão chumbar a lei da reforma do sistema de pensões e que Tsipras "não deve procurar consensos onde eles não existem". "Ele castiga os novos pensionistas, novos trabalhadores, os trabalhadores independentes. Ele castiga o trabalho, mas toma conta diariamente do exército do seu partido nomeando os seus colaboradores mais próximos e familiares".

Uma semana depois de Mitsotakis ter sido eleito líder da Nova Democracia, o partido conservador surgiu como o mais popular do país, ultrapassando o Syriza pela primeira vez no último ano, segundo duas sondagens divulgadas no passado dia 17.

Uma sondagem publicada no semanário Proto Thema colocava a Nova Democracia com 21,3%, contra 18% do Syriza, enquanto uma outra sondagem publicada no jornal Parapolitika dava aos conservadores 23,6%, contra 19,9% para o Syriza de Alexis Tsipras. A Nova Democracia governou a Grécia sozinha entre 2004 e 2009, regressando ao poder, em coligação com o PASOK, a partir de maio de 2012, cenário que só mudou a 25 de janeiro de 2015, com a vitória do Syriza.

O mais votado

Kyriakos nasceu em Atenas a 4 de março de 1968, filho mais novo do antigo primeiro-ministro e presidente honorário da Nova Democracia, Konstantinos Mitsotakis. Com apenas seis meses de vida trocou a capital grega por Paris, a cidade escolhida pela sua família para o exílio, já que o pai não era bem visto pela junta militar que então governava a Grécia.

O regresso a casa deu-se em 1974, quando a democracia foi restaurada no país. Mas a estadia foi curta, pois, em 1986, Kyriakos foi para os Estados Unidos, mais propriamente para a Universidade de Harvard, onde se licenciou em Estudos Sociais e mais tarde obteve o MBA. Pelo meio, na Universidade de Stanford tirou o mestrado em Relações Internacionais. Além do grego, fala inglês, francês e alemão.

Casado e pai de três crianças, a sua carreira profissional, primeiro em Londres e depois em Atenas, foi sempre ligada à banca, tendo passado por sítios como o Chase Manhattan Bank, a McKinsey, o Alpha Bank e o Banco Nacional da Grécia (não confundir com o Banco da Grécia, o regulador do país).

Nos últimos 16 anos tem-se também dedicado à vida política - a sua estreia foi na campanha nacional da Nova Democracia em 2000. Quatro anos depois foi eleito deputado, recebendo mais votos do que qualquer outro candidato do partido. Em 2013, Antonis Samaras nomeou-o ministro da Reforma Administrativa, cargo que ocupou até à vitória do Syriza há um ano, regressando ao Parlamento.

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