Congressistas americanas apelam a todos os cidadãos: "Não mordam o isco" de Trump

Numa conferência de imprensa, as congressistas norte-americanas Omar, Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley voltaram a criticar a administração de Trump. No domingo, o presidente dos EUA tinha recomendado que as quatro mulheres voltassem para os seus países de origem.

Não deixaram nada por dizer ao presidente dos EUA, acusado de seguir uma "agenda de nacionalistas brancos", e fazem agora um apelo a todos os cidadãos americanos: "não mordam o isco". As quatro congressistas democratas norte-americanas a quem Donald Trump recomendou que regressassem aos seus países de origem, "corruptos e lugares infestados de crimes", dizem que o discurso do dirigente é "descaradamente racista" e tenciona ser uma distração das práticas desumanas dos seus líderes. De acordo com o The Guardian, Omar, Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley consideram crítica a retórica de Trump, principalmente num "momento crucial para o país", com os "olhos da história" postos nele.

As quatro mulheres estiveram no centro das atenções do presidente norte-americano este domingo. Na sua conta de Twitter, Donald Trump teceu várias críticas ao quarteto, o que Pressley, a primeira mulher negra eleita para o Congresso pelo Estado de Massachusetts, considera ser "uma distração disruptiva das questões de cuidado, preocupação e consequência para o povo americano que foram enviados com um mandato decisivo dos eleitores para trabalhar".

Ilhan Omar acrescenta que Trump está a seguir uma "agenda dos nacionalistas brancos, seja em chats seja na televisão nacional, e que agora atinge a Casa Branca". Acusa ainda o presidente de ter "violado abertamente o juramento que fez" ao permitir "abusos dos direitos humanos" na fronteira entre o México e os EUA e por ter aceitado um concluio com um governo estrangeiro durante as eleições presidenciais de 2016 - o que Trump já negou.

Omar deixou o alerta: "É hora de pararmos de permitir que este presidente brinque com a nossa Constituição".

No domingo, Donald Trump escreveu no Twitter como considerava "muito interessante ver congressistas democratas, progressistas, que originalmente vêm de países cujos governos são uma catástrofe total e completa, os piores, os mais corruptos e ineptos do mundo (se é que funcionaram como governos), dizerem em voz alta e agressivamente para o povo dos EUA, a maior e mais poderosa nação do mundo, como o nosso governo deve ser gerido". "Porque é que não voltam e ajudam os países corruptos e infestados de crimes de onde vieram. Depois voltam e mostram como é que fizeram", sugeria.

Alexandria Ocasio-Cortez também recorreu às redes sociais para responder ao presidente. "Está irritado porque não consegue imaginar uma América que nos inclua. Confia numa América assustada para poder lucrar. Não aceita uma nação que considera a saúde como um direito ou a educação como uma prioridade número um", lê-se.

As quatro congressistas são democratas e defensoras de políticas de esquerda. Todas elas têm ascendências de outros países e são cidadãs norte-americanas. Ocasio-Cortez, Tlaib e Pressley nasceram nos EUA, mas têm origem porto-riquenha e palestiniana, enquanto Omar nasceu em Mogadíscio e chegou a território norte-americano como refugiada.

As questões raciais têm marcado a presidência de Trump desde o dia em que anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais em 2015. O que levou vários líderes internacionais a criticar o atual dirigente. E muito deles não ficaram de fora deste confronto entre Trump e as quatro congressistas.

De acordo com a BBC, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse discordar "completamente e totalmente" dos comentários de Donald Trump. "Não é assim que fazemos as coisas no Canadá. Um canadense é canadense", disse numa conferência de imprensa.

Também Jeremy Hunt, candidato à liderança do governo britânico, mostrou-se "completamente chocado", bem como o adversário Boris Johnson que considera errado por parte do presidente "usar este tipo de linguagem para mandar as pessoas de volta para o lugar de onde vieram".

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