Comissário sugere taxa sobre o plástico para compensar brexit

Contas comunitárias ficarão com um "buraco" entre 12 e 15 mil milhões de euros após terminar a contribuição do Reino Unido

A saída do Reino Unido da União Europeia deverá criar um "buraco" entre 12 e 15 mil milhões de euros nas contas comunitárias pós 2020, ano em que termina o atual orçamento, o que obrigará a cortes, mas também a um aumento das contribuições dos 27 Estados membros, de acordo com o comissário europeu para o Orçamento. O equilíbrio das contas poderá passar por tributar o plástico.

"Temos dois grandes problemas: um buraco pelo lado das contribuições e outro nas despesas", salientou o comissário alemão, adiantando que os novos desafios que a União Europeia tem que enfrentar - como a segurança e a crise migratória - obrigam a um reforço nas verbas, que estimou em "até 10 mil milhões de euros por ano".

Oettinger deixou claro que a UE irá propor "muito poucos novos instrumentos financeiros" e que o "buraco" deixado pelo brexit não será preenchido com a criação de dívidas, mas som com 50% de "dinheiro fresco" dos Estados membros e 50% de cortes em projetos existentes. Fora destes cortes ficarão o Erasmus e programas de investigação.

Para aumentar os "seus próprios recursos" no orçamento comunitário, a UE planeia apresentar nas próximas semanas um imposto sobre o plástico. Reconhecendo que o desperdício de plástico é uma das maiores preocupações ambientais da Comissão e admitindo que o bloco tem "muito material de embalagem e e lixo plástico, que poluem os nossos mares e oceanos", Günther Oettinger questionou "se não deveríamos taxar a produção dos nossos plásticos e sintéticos", adiantando que "esta poderá ser uma opção para uma nova receita da UE".

Este imposto já foi criado em países como a Irlanda, que gerou 200 milhões de euros num período de 12 anos e reduziu a presença de sacos no meio ambiente de 5% da poluição por lixo para 0,13%", explicou ao Euroactiv Carsten Wachholz, do European Environmental Bureau, a maior federação de organizações ambientais de cidadãos na Europa.

Nos planos de Bruxelas está também proceder a alterações no Regime de Licenças de Emissão da UE, que passarão de um nível nacional para um nível comunitário, mas o alemão não adiantou mais detalhes.

Khan ataca governo de May

A indústria automóvel alemã poderá perder 3,8 mil milhões de euros em vendas e até 14 mil empregos num cenário de hard brexit - no qual o Reino Unido abandonaria o mercado comum e a união alfandegária, de acordo com um relatório feito pela Deloitte.

Grande parte de impacto deve-se ao facto de o Reino Unido ser o maior mercado de exportações dos fornecedores automóveis da Alemanha, sendo que 18% das peças automóveis usadas nas fábricas britânicas terem origem germânica. "A introdução de tarifas da Organização Mundial do Comércio e uma desvalorização da libra e caso de um hard brexit iria diminuir a venda e o fabrico de carros no Reino Unido, tendo um impacto direto nos fornecedores automóveis alemães", pode ler-se no relatório, de acordo com a AFP.

As referidas tarifas da Organização Mundial do Comércio seriam de cerca de 10% para os automóveis e de 4,5% para as peças, tornando os veículos europeus 21% mais caros no Reino Unido. No total, as exportações alemãs para o Reino Unido teriam uma queda de 23%, adiantou o documento.

Um outro estudo sobre o impacto económico do brexit - encomendado pelo presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, e feito pela Cambridge Econometrics - revelou que o Reino Unido pode perder cerca de 500 mil empregos (87 mil dos quais na capital britânica) e 50 mil milhões de euros em investimento até 2030 se sair da União Europeia sem um acordo.

Em comunicado, Khan acusou ontem o governo de Theresa May de uma "completa falta de preparação" na avaliação do impacto do brexit, que apelida de "irresponsável". "Se o governo continuar a minimizar as negociações poderemos enfrentar uma década perdida de baixo crescimento e baixo emprego", prosseguiu o mayor londrino. "Os ministros estão a ficar rapidamente sem tempo para mudar as negociações. Um "não acordo" hard brexit é ainda um risco muito real - o pior cenário possível".

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