Comandante do fatídico voo da Ethiopian Airlines não recebeu treino no novo simulador da Boeing

O Boeing 737 Max 8 despenhou-se a 10 de março a sudeste de Adis Abeba. Morreram os 157 ocupantes

Yared Getachew, de 29 anos, o comandante da Ethiopian Airlines, não recebeu treino no novo simulador para o Boeing 738 Max 8 antes do fatídico voo de 10 de março. O avião despenhou-se em Adis Abeba, capital da Etiópia. Morreram os 157 ocupantes.

Um piloto, colega de Getachew, revelou sob anonimato à agência Reuters que estava previsto que o comandante recebesse treino no final de março, dois meses depois da Ethiopian Airlines ter recebido um simulador.

Este foi o segundo acidente mortífero em menos de cinco meses deste avião, que entrou em serviço em maio de 2017, depois do que envolveu o aparelho da Lion Air, em outubro, que provocou 189 mortos, na Indonésia.

Em ambos os casos, os pilotos perderam o controlo logo após a descolagem. O 738 Max 8 possui um novo sistema automatizado, conhecido pelo acrónimo MCAS, que destina-se a prevenir a perda de sustentação. "A Boeing não enviou manuais sobre o MCAS", disse ainda o piloto da Ethiopian Airlines. "Atualmente, sabemos mais do sistema MCAS pelos media do que pela Boeing", sublinhou.

Pilotos da Lion Air leram manual de instruções quando o avião Boeing estava a cair

O desconhecimento dos pilotos é reforçado com as conclusões dos investigadores indonésios sobre o acidente da Lion Air, em outubro. Gravações de voz, registadas pela caixa-negra do aparelho, indicam que os pilotos leram manual de instruções quando o avião, um Boeing 737, estava a cair.

Segundo os registos audio, quando o avião deixou de obedecer aos comandos e começou numa trajetória descendente, os pilotos recorreram ao manual do Boeing 737 para evitar o trágico desfecho. Só agora conhecidas, as gravações de voz do aparelho da Lion Air não constam do relatório preliminar ao acidente.

Nos últimos "20 segundos" do voo, os registos audio indicam que "o piloto sentiu que já não podia recuperar o voo e foi então que surgiu o pânico", afirmou, em conferência de imprensa. Nurcahyo Utomo, investigador do Comité Nacional de Segurança em Transportes da Indonésia. 12 minutos depois de levantar voo o avião caiu.

União Europeia interdita Boeing 737 Max 8

Embora ainda não haja certezas, o problema parece residir num sensor de voo que terá enviado sinais errados para o software - o que terá feito o avião afundar o nariz logo após a descolagem. A mesma falha é apontada como a causa provável de outro acidente na Indonésia há menos de quatro meses com um aparelho idêntico. Juntos, os dois acidentes, causaram a morte a 346 pessoas.

Após a tragédia na Etiópia, o Departamento dos Transportes do Governo dos EUA avançou com uma auditoria à certificação do Boeing 737 MAX 8.

Já o Departamento da Justiça abriu um inquérito criminal sobre o desenvolvimento deste avião.

"A segurança é a prioridade número um do Departamento e estamos muito entristecidos pelos dramas dos recentes acidentes de dois Boeing 737 MAX 8, na Indonésia e na Etiópia", avançou o secretário da Justiça.

Perante os dois acidentes fatais, todos os aviões Boeing 737 Max 8 acabaram por ser proibidos de voar nos EUA e no espaço europeu.

O Boeing Max 8, um modelo de nova geração, prometia ser um dos grandes sucessos da empresa, mas se não conseguir dar a volta às tragédias que se têm abatido sobre o mesmo, o futuro da multinacional poderá estar em causa, segundo a CNN.

No entanto, esta não é a primeira grande crise do fabricante de aeronaves, nem sequer a maior. Em poucos meses, entre 1965 e 1966, quatro novos aviões Boeing 737 Max caíram. Três dos acidentes aconteceram durante aterragens em aeroportos nos Estados Unidos - dois ocorreram com apenas três dias de intervalo. Também na altura, a empresa viu-se obrigada a parar aviões - 371 em todo o mundo.

Sobreviveram à crise dos anos 1960 com o aumento e a melhoria da formação dos seus pilotos, que antes não estariam devidamente preparados para conduzir os então novos modelos com um sistema automático de segurança. Embora as causas exatas destes acidentes ainda sejam desconhecidas, o Conselho de Aeronáutica Civil e o Conselho Nacional de Segurança de Transporte acabaram por ditar o fim dos 727 acusando os pilotos pelos acidentes. A produção deste modelo viria a terminar em 1984 depois de terem sido feitas 1831 aeronaves.

Exclusivos

Premium

Espanha

Bolas de aço, berlindes, fisgas e ácido. Jovens lançaram o caos na Catalunha

Eram jovens, alguns quase adultos, outros mais adolescentes, deixaram a Catalunha em estado de sítio. Segundo a polícia, atuaram organizadamente e estavam bem treinados. José Manuel Anes, especialista português em segurança e criminalidade, acredita que pertenciam aos grupos anarquistas que têm como causa "a destruição e o caos" e não a luta independentista.