Com a campanha a afundar, Jeb Bush pede ajuda ao irmão George

Na Carolina do Sul, o ex-presidente garantiu que o irmão mais novo tem "experiência e bom senso" para ser um bom chefe do Estado.

Quando no início da campanha para as presidenciais de 8 de novembro nos EUA lhe perguntavam pela família, Jeb Bush respondia: "Eu valho por mim!" E até nos cartazes, o ex-governador da Florida aboliu esse apelido que traz com ele o peso de dois ex-presidentes, optando apenas por "Jeb!" (as suas iniciais: John Ellis Bush). Mas agora, depois dos maus resultados nos caucus do Iowa e nas primárias do New Hampshire, Jeb precisa de fazer qualquer coisa para salvar a sua candidatura à nomeação republicana. E para isso, depois de ter contado com o apoio da mãe, Barbara, não hesitou em pedir a ajuda do irmão, George W., antes das primárias de sábado na Carolina do Sul.

O simples facto de George W. Bush deixar o retiro no seu rancho do Texas, onde se refugiou desde que deixou a presidência em 2009, já é notícia. Mas com ele voltou também o tema da guerra no Iraque. Não que W. tenha falado nisso nos 20 minutos em que esteve em palco em North Charleston, trabalhando uma audiência de 3000 pessoas com a descontração que caracterizaram os seus oito anos na presidência. Acompanhado pela mulher, Laura, e pelo senador da Carolina do Sul Lindsay Graham e visivelmente mais velho, o 43.º presidente dos EUA alinhou piadas sobre a mãe, repetiu, causando risos na assistência, como foi "subestimado", recordou como estava a ler um livro infantil numa escola quando soube do 11 de setembro e brincou com os quadros que tem pintado, afirmando que a sua assinatura vale muito mais do que a sua arte.

Garantindo que o irmão vai dar um ótimo presidente, W. denunciou ainda os críticos que "falam alto". Ser presidente exige bom senso e boas ideias. Não tenho qualquer dúvida que Jeb tem a experiência e o bom senso para ser presidente", afirmou o mais velho dos irmãos Bush. Ex-presidente e filho de ex-presidente (George H. W. Bush, de 91 anos), George W. rejeitou as críticas dos candidatos fora do sistema, e explicou: "Se servir como presidente me torna parte do establishment, tenho orgulho nesse rótulo".

Sem falar nunca no presidente Barack Obama ou na sua ex-secretária de Estado Hillary Clinton, agora na corrida à nomeação democrata, George W. Bush preferiu mandar farpas, mais uma vez sem dizer nomes, aos adversários republicanos de Jeb, que teima em não sair dos últimos lugares nas sondagens. "Percebo que os americanos estão zangados e frustrados, mas não precisamos de alguém na Sala Oval que reflita e inflame a nossa frustração!" Esta foi direta para Trump.

Com uma introdução tão bem sucedida, Jeb não teve tarefa fácil para não desiludir a audiência. Sem óculos e de simples camisa branca e gravata azul clara, o ex-governador tentou mostrar-se descontraído, mas o tecnocrata acabou por vir ao de cima, apesar do discurso virado para a Defesa e para os militares - um assunto caro aos eleitores da Carolina do Sul.

O "erro" do Iraque

Ao arriscar chamar o irmão para se juntar à sua campanha, Jeb colocou-se na mira dos ataques dos adversários republicanos. Logo no sábado à noite, no último debate antes das primárias de dia 20 na Carolina do Sul, Donald Trump partira ao ataque contra a invasão do Iraque, em 2003 , ordenada pelo então presidente George W. Bush, lembrando que "a guerra no Iraque foi um grande erro, certo?" E criticou Jeb por ter demorado "cinco dias a decidir se era um erro ou não era um erro, até alguém lhe dizer o que ele tinha de responder".

Para o milionário - favorito republicano em todas as sondagens tanto na Carolina do Sul, como no Nevada, que vai a votos no dia 23 -, não há dúvidas: "Nunca devíamos ter ido para o Iraque. Desestabilizámos o Médio Oriente". Além disso, o magnata lembrou que a invasão do Iraque teve como base uma mentira: que o regime de Saddam Hussein tinha armas de destruição maciça. "Eles mentiram. Disseram que havia armas de destruição maciça e não havia nenhuma", sublinhou.

No debate, Jeb limitou-se a dizer a Trump para parar de criticar a sua família, recebendo os aplausos da audiência. Mas na segunda à noite, o ex-governador mostrou-se espantado com o facto de "um dos principais candidatos atacar o presidente que nos manteve seguros enquanto ele andava a fazer reality shows".

E ontem, no programa de televisão CBS This Morning, Jeb comparou mesmo Trump a Michael Moore, o ativista de esquerda e realizador de documentários como Farenheit 9/11, sobre a presidência de Bush filho. "Não percebo. Ele [Trump] está basicamente a trazer as palavras de Michael Moore para as primárias republicanas".

Mas a verdade é que os estudos mostram como a maioria dos americanos (51%) consideram que a guerra no Iraque (e até o conflito no Afeganistão, em resposta à proteção dos talibãs a Osama bin Laden, o cérebro dos atentados de 11 de Setembro) foi um erro. Perante este cenário, seria irónico que Jeb precisasse do apoio do irmão, o homem que avançou para o conflito no Iraque mesmo sem apoio do Conselho de Segurança da ONU, para salvar a campanha.

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