Ciclone Idai. Número de mortos em Moçambique sobe para 217

O ciclone Idai fez, pelo menos, 217 mortos, segundo os últimos dados das autoridades moçambicanas. Há cerca de 15 mil pessoas à espera de serem resgatadas e 30 portugueses estão ainda por localizar

O número de mortos subiu para 217 e são cerca de 15 mil as pessoas que aguardam pelo resgate. Os números da passagem devastadora do ciclone Idai por Moçambique avançados esta quinta-feira por Celso Correia, ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural. Mas tudo indica que os números desta tragédia possam ser ainda mais dramáticos. O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, afirmou que os mortos possam ser mais de mil. Há 30 portugueses que ainda estão por localizar.

"A nossa grande luta é contra o tempo", reconheceu o governante, citado pela Reuters. A prioridade é agora entregar bens alimentares às populações afetadas enquanto decorrem as operações de resgate. Em conferência de imprensa, Celso Correia revelou que até ao momento foram resgatadas cerca de três mil pessoas, após a passagem do ciclone Idai que atingiu a cidade costeira da Beira na semana passada com rajadas de vento a chegarem aos 170 quilómetros por hora. Além de Moçambique, a tempestade atingiu também o Zimbabwe, onde morreram 98 pessoas, e o Malawi, onde se registaram 56 vítimas mortais.

Não faltaram alertas sobre a chegada de ciclone

Uma tragédia anunciada tendo em conta os boletins do Instituto Nacional de Meteorológica (INAM), que desde o início de março alertava para a formação de uma depressão tropical que iria atingir a costa moçambicana a partir do dia 12, segundo revela o jornal Carta de Moçambique.

No dia 11, o governo moçambicano emitiu um alerta vermelho, "mas ninguém fez nada", escreve a publicação. Dias depois de ter sido emitido, no dia 4, o boletim meteorológico do INAM que alertava para a intensificação de uma depressão tropical. Na altura, a informação justificava um aviso "laranja". Dois dias depois, 6 março, o aviso passo para "vermelho" com a previsão da continuação de chuvas intensas, trovoadas e rajadas de vento nas províncias de Sofala, Nampula e Cabo Delgado.

Outros alertas foram dados pelo INAM que, a 8 de março, emitiu um comunicado detalhado sobre o "sistema de baixas pressões muito ativo", que se previa que fosse atingir o canal de Moçambique no dia 10. "As projeções dos centros de monitoramento de ciclones tropicais dão indicação de evolução desse sistema a partir do final do dia, atingindo o estágio de depressão tropical", lia-se no comunicado, citado pelo jornal Carta de Moçambique. As previsões, acrescentava o mesmo documento, indicavam que este fenómeno climático pudesse aproximar-se da costa moçambicana a partir do dia 12 e que as primeiras províncias a serem atingidas podiam ser Sofala ou Zambézia.

O jornal denuncia que as autoridades do país não fizeram nada "para diminuir o impacto" do ciclone Idai, apesar de já terem conhecimento da sua "chegada". "Nestas situações, não só se recomenda a ativação dos alertas laranja ou vermelho, mas também a evacuação da população residente nas zonas de risco. Nem uma, nem outra coisa aconteceu", escreve a Carta de Moçambique, que faz um historial dos alertas dos boletins meteorológicos.

A 10 de março a tempestade tropical já tinha nome de Idai e equacionava-se a hipótese de atingir o estágio de ciclone tropical, o que se veio a confirmar no boletim do dia seguinte. A 13 de março, o INAM previa que o ciclone ia fazer-se sentir no dia 14 e que chegaria ao país com a categoria 3, descreve a publicação. Idai passaria depois para a categoria 4, com a previsão de chuva intensa, rajadas de vento até 220 quilómetros por hora e ondas até 10 metros.

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