China proíbe o consumo de animais selvagens

O governo chinês impôs a proibição do comércio e do consumo alimentar de animais selvagens, o que tem sido apontado como um fator que pode ter propiciado a transmissão do vírus Covid-19 a humanos.

Os cidadãos chineses foram impossibilitados esta segunda-feira de continuarem a consumir e comercializar animais selvagens, por motivos de segurança nacional, anunciou o governo chinês, que crê que a contínua ingestão deste tipo de animais terá sido a razão que propiciou o surgimento do novo coronavírus entre humanos - e que já levou à morte de 2,592 pessoas, infetando outras 77,000 no país liderado por Xi Jinping.

A comissão governamental aprovou a proibição "de comércio ilegal de animais selvagens e aboliu o mau hábito de consumo de animal, para efetivamente proteger as vidas e a saúde das pessoas", descreveu a televisão estatal chinesa.

A epidemia de coronavírus destacou "o proeminente problema do consumo excessivo de animais selvagens e os enormes perigos ocultos à saúde e segurança pública", afirmou o relatório governamental.

O novo vírus alegadamente surgiu em dezembro passado num mercado de mariscos e animais selvagens, situado nos subúrbios de Wuhan, no centro da China. Como parte das medidas para conter a recente epidemia, a China já anunciara, no final de janeiro, o encerramento temporário de mercados de animais selvagens, proibindo por tempo indeterminado a criação, transporte ou venda de todas as espécies.

O governo chinês tem sofrido várias críticas por permitir a exploração e o mau tratamento de animais usados como alimento, assim como a utilização de medicinas não recomendadas por especialistas de saúde.

Vário especialistas alertam que o transporte, o abate e o consumo de espécies selvagens representam um risco significativo e crescente para a saúde pública ao expor os seres humanos a patógenos perigosos de origem animal.

A fonte exata do coronavírus ainda não confirmada, havendo estudos de cientistas que apontam para uma provável origem em animais como morcegos, cobras, pangolins ou algum outro mamífero.

Esta associação entre os hábitos de consumo animal na China e surtos de coronavírus já tinha surgido durante a epidemia da pneumonia atípica, também causada por um coronavírus, que entre 2002 e 2003 paralisou a China. Nessa altura, o intermediário foi a civeta, um pequeno mamífero cuja carne é apreciada na China.

Desta vez, de acordo com uma lista de preços que circulava na Internet chinesa, um dos comerciantes do mercado de Wuhan, no epicentro do vírus, terá vendido uma vasta variedade de animais, incluindo civetas, ratos, cobras, salamandras gigantes e filhotes de lobo vivos.

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