China prende 21 suspeitos de esquema Ponzi envolvendo sete mil milhões de euros

Plataforma online de empréstimos pagava aos credores mais antigos com o dinheiro de novos investidores

As autoridades chinesas detiveram 21 pessoas suspeitas de um esquema Ponzi gigante que ludibriou cerca de 900.000 pessoas em mais de 50 mil milhões de yuans (sete mil milhões de euros), informou a imprensa estatal.

Lançado em 2014, o Ezubao era a quarta maior plataforma online' na China a disponibilizar empréstimos entre pessoas (P2P, 'na sigla em ingês), segundo um relatório da revista chinesa Caixin.

O retorno anual oferecido aos investidores fixava-se entre nove e 14,6 por cento, em vários projetos, indicou a agência oficial Xinhua - um valor muito acima do rendimento garantido pelos produtos financeiros disponíveis nos bancos chineses.

Até dezembro de 2015, o Ezubao reuniu 50 mil milhões de yuans num esquema que resultou em perdas para 900.000 investidores.

A empresa colocava projetos no seu portal e pagava aos credores mais antigos com o dinheiro de novos investidores, revela a Xinhua.

"O Ezubao é um típico esquema Ponzi", admitiu Zhang Min, o presidente do grupo Yucheng, que geria a plataforma, e um dos detidos, citado pela agência.

Um outro responsável, Ding Ning, disse à Xinhua que a empresa gastou mais de 800 milhões de yuan (112 milhões de euros) na compra de informação corporativa, visando criar projetos fraudulentos.

Ambos terão esbanjado o dinheiro dos investidores num estilo de vida opulento, incluindo uma moradia de 130 milhões de yuan (mais de 18 milhões de euros) em Singapura e gastos avaliados em 500 milhões de yuan (70 milhões de euros).

A imprensa estatal chinesa difunde regularmente confissões de detidos, numa prática vista por grupos estrangeiros como uma violação ao direito a um julgamento justo.

A polícia revelou que, entre as 207 empresas às quais o Ezubao diz ter emprestado dinheiro, apenas uma terá beneficiado de crédito.

"Tanto quanto sei, 95% dos projetos do Ezubao são falsos", admitiu Yong Lei, um avaliador de risco empregado numa subsidiária do grupo Yucheng.

A redução consecutiva das taxas de juro e a recente volatilidade no mercado bolsista chinês, aliados à incerteza no mercado imobiliário, terão atraído cada vez mais investidores chineses para esquemas de angariação ilegal de fundos.

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