Chico Buarque ofendido no Leblon por ser do PT

Grupo de jovens abordou o músico na zona sul do Rio de Janeiro.

Chico Buarque foi abordado na madrugada de terça para quarta-feira à saída de um restaurante no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, por um grupo de jovens hostis ao Partido dos Trabalhadores (PT), do qual o músico e escritor é apoiante.

"Você é um merda, quero ouvir da sua boca, quem apoia o PT, o que é?", perguntou um dos jovens. "É petista", respondeu Buarque. "Não, é um merda", insistiu o rapaz, num dos momentos mais tensos da discussão.

Veja aqui o vídeo:

Noutra ocasião, outro dos anti-PT acusa o compositor de "morar em Paris": "Para quem mora em Paris, é fácil". Na realidade Chico Buarque mora a poucos metros do restaurante Brigite"s, onde acabara de realizar o seu jantar mensal com amigos como Edu Lobo, também cantor e compositor, Cacá Diegues, Miguel Faria Jr. e Ruy Solberg, todos cineastas, e o jornalista e escritor Eric Nepomuceno. O outro grupo saía do restaurante Sushi Leblon à mesma hora.

Cacá Diegues disse ao jornal O Estado de S. Paulo que "o Chico foi um santo, um cavalheiro, os rapazes começaram a hostilizar do outro lado da rua e ele foi lá conversar com eles". Depois da altercação, o músico publicou na sua página do Facebook um posto seu a cantar "Vai trabalhar, vagabundo".

O rapper Túlio Dek, que estava no grupo que hostilizou Buarque, questionou-se: "Ele é um ídolo, sem dúvida, sou fã dele mas como um ídolo com esse nível intelectual continua a apoiar cegamente o PT?"

Chico Buarque é um conhecido apoiante do PT e vem participando em todas as campanhas eleitorais, quer nas duas de Lula da Silva, quer nas duas de Dilma Rousseff, ao contrário de outros artistas que aos poucos se afastaram do partido no poder desde 2002.

O episódio é apenas mais um exemplo do chamado clima "Fla-Flu", aludindo à rivalidade futebolística entre clubes cariocas, que tomou as discussões na política brasileira nos últimos anos. Durante a administração do PT o Brasil teve forte evolução social e económica mas também escândalos de corrupção que se vêm acumulando e, agora, uma recessão.

São Paulo

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