Chefe de gabinete do PM maltês demite-se por alegadas ligações a morte de jornalista

Conhecida por expor casos de corrupção da elite política e empresarial, ​​​​Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, foi morta a 16 de outubro de 2017.

O chefe de gabinete do primeiro-ministro maltês demitiu-se esta terça-feira, depois de o seu nome ter sido mencionado na investigação sobre o assassínio da jornalista Daphne Caruana Galizia, conhecida por expor casos de corrupção da elite política e empresarial.

O nome de Keith Schembri, chefe de gabinete do primeiro-ministro desde 2013, foi mencionado na investigação policial pelas suas ligações ao empresário Yorgen Fenech, detido na semana passada e considerado pela família da jornalista e por alguns meios de comunicação social do país como o ou um dos mandatários do crime.

Yorgen Fenech é diretor e proprietário da Electrogás, que ganhou em 2013 um concurso de vários milhões de euros aberto pelo Estado de Malta para a construção de uma central elétrica de gás.

O empresário foi detido a bordo do seu iate, pouco depois de deixar aquela ilha do Mediterrâneo.

Oito meses antes da sua morte, Daphne Caruana Galizia escreveu no seu blogue sobre uma empresa cuja propriedade é atribuída a Yorgen Fenech, chamada 17 Black, afirmando que tinha ligações a políticos malteses.

Na semana passada, o primeiro-ministro, Joseph Muscat, garantiu que daria imunidade a um homem suspeito de ter sido intermediário no assassínio em troca de seu testemunho no tribunal.

O suspeito, que não foi identificado, foi detido na semana passada numa operação conjunta da Interpol e da polícia maltesa contra lavagem de dinheiro, tendo admitido saber quem está por trás do assassínio da jornalista.

Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, foi morta em 16 de outubro de 2017 com um engenho explosivo colocado no seu automóvel em Bidnija, onde vivia.

A jornalista investigava na altura vários políticos malteses, incluindo o primeiro-ministro e a mulher, no âmbito dos "Papéis do Panamá", que mostraram como centenas de políticos, empresários e celebridades utilizaram paraísos fiscais para evasão fiscal, lavagem de dinheiro e transações ilegais.

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