Chefe da polícia de Atlanta demite-se após morte de afro-americano

A morte de mais um negro às mãos da polícia volta a abalar a América. Além da chefe policial, foi ainda despedido o agente que disparou a bala que matou Rayshard Brooks.

A chefe da polícia de Atlanta, Erika Shields, apresentou a demissão do cargo na sequência de mais um caso do qual resultou a morte de um afro-americano de 27 anos na noite de sexta-feira, quando foi abatido por um agente num drive-thru da cadeia de restaurantes Wendy's.

Quase três semanas depois da morte de George Floyd, em Minneapolis, este novo caso originou novas manifestações, tendo sida detidas 36 pessoas em Atlanta, de acordo com informações divulgadas pela cadeia de televisão norte-americana CNN.

Além da saída da chefe da polícia, a morte de mais este afro-americano, Rayshard Brooks, fez ainda que o polícia que disparou o tiro fatal tivesse sido despedido, enquanto o seu parceiro foi colocado em funções administrativas. O oficial demitido foi identificado como Garrett Rolf e estava em funções desde outubro de 2003, enquanto o outro policial, David Bronson, tinha sido admitido em setembro de 2018.

O anúncio da demissão da chefe da polícia foi feito pela autarca da cidade de Atlanta em conferência de imprensa. "A chefe Shields demitiu-se para que a cidade possa reconstruir a confiança tão necessária na nossa comunidade", afirmou Keisha Lance Bottoms, que considerou ter estar perante mais um caso de uso excessivo da força por parte da polícia: "Não acredito que tenha havido um uso justificado de força letal e, por isso, pedi demissão imediata do agente que disparou."

A mayor de Atlanta já procedeu entretanto à constituição de uma comissão para analisar este incidente, a qual deverá apresentar conclusões e fazer recomendações num prazo que poderá ir até aos 45 dias.

Refira-se que o incidente registou-se na sexta-feira à noite, depois de a polícia ter recebido uma queixa de que um homem (Rayshard Brooks) estava a dormir dentro de um carro que impedia a passagem de outras viaturas para o restarurante drive-thru (comprar comida sem sair do carro).

Os vídeos entretanto divulgados mostram que a vítima tentou lutar com os dois agentes da polícia que, quando o tentavam prender, viram Rayshard Brooks tirar um taser (arma que emite uma descarga elétrica) da polícia, sendo então alvejado quando supostamente se preparava para o usar contra o agente.

Paul Howard, procurador da comarca de Fulton, afirmou ter já foi iniciada uma investigação "intensa e independente" do caso, que aconteceu numa altura de grande tensão nos Estados Unidos relacionada com a brutalidade policial, após a morte pela polícia de George Floyd, em Minneapolis, a 25 de maio. Atlanta foi uma das cidades onde multidões estiveram nas ruas em protesto.

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