Governo catalão elogia voluntários que separaram a polícia dos manifestantes

Seis polícias feridos e 13 detidos na Catalunha em mais uma noite de protestos, mas sem a violência dos últimos dias. Madrid também foi palco de confrontos, dos quais resultaram 26 feridos, entre eles 11 polícias

"Não houve incidentes importantes, mas foram localizados objetos para provocar incêndios", afirmou este domingo Miquel Buch, ministro do Interior da Catalunha no balanço de mais uma noite de manifestações contra a condenação a penas de prisão de dirigentes independentistas.

A noite de sábado foi mais tranquila em comparação com as anteriores jornadas de protesto, mas, ainda assim, seis polícias ficaram feridos e 13 pessoas foram detidas, de acordo com o jornal LaVanguardia.

Os grupos mais violentos que nas últimas noites provocaram o caos em Barcelona deram uma trégua na jornada reivindicativa de sábado à noite, com momentos de tensão, mas sem distúrbios relevantes.

Grupos de pacifistas entraram em cena para criar cordões que separaram a polícia dos manifestantes, uma atitude que Buch destacou quando fez o balanço da noite de protesto. "Os cordões preventivos são o outro lado da moeda dos grupo violentos", afirmou.

A manifestação de independentistas de sábado foi mesmo marcada pelo aparecimento destes grupos de pacifistas que, ao fim do dia, se interpuseram entre a polícia e os mais agitadores funcionando como uma espécie de amortecedor que parece ter funcionado.

Com a concentração desconvocada, já depois da meia noite, centenas de manifestante continuaram em frente ao cordão da polícia, enquanto reduzidos grupos de radicais faziam algumas barricadas com caixotes de lixo que incendiaram nos arredores, tendo havido momentos de grande tensão com as forças da ordem a ameaçar cargas policiais que acabaram por não se confirmar.

"Fora as forças de ocupação" e "Somos pessoas de paz", foram algumas das palavras de ordem que as cerca de seis mil pessoas concentradas, segundo a Guarda Urbana, tinham gritado algumas horas antes.

O ministro do Interior do Governo Regional da Catalunha disse não ter conhecimento de nenhuma ação ou concentração dos Comités de defesa da República (CDR) prevista para este domingo.

Com a polícia em alerta máximo devido à escalada de violência nos últimos dias, e um grande dispositivo no centro de Barcelona, houve apenas momentos de tensão intermitentes na praça Urquinaona, epicentro da batalha campal de sexta-feira.

A concentração tinha sido convocada pela esquerda radical independentista dos CDR (Comités de Defesa da República) e outras associações separatistas, para denunciar a "repressão" do Estado espanhol.

Os movimentos de protesto começaram na segunda-feira, depois de ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência, em outubro de 2017.

Os juízes decidiram condenar nove deles a penas até 13 anos de prisão, por delitos de sedição e peculato.

Sánchez recusa-se a falar com Torra

Durante o dia de sábado, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez recusou-se a falar com o chefe do Governo regional da Catalunha, o independentista Quim Torra, enquanto este não condenasse "explicitamente" a violência e reconhecer o trabalho da polícia na contenção dos distúrbios dos últimos dias.

A liderança de Torra está, cada vez mais, a ser posta em causa com várias vozes nos principais partidos independentistas, ERC (socialistas moderados) e Juntos pela Catalunha (direita), a criticar a falta de liderança e a começarem a falar na possibilidade de uma antecipação das eleições regionais.

O Governo socialista espanhol tem renunciado a aplicar medidas excecionais mais radicais na Catalunha como é pedido pela direita espanhola, mas afirma estar pronto a utilizá-las se for necessário, numa altura em que se está a três semanas das eleições legislativas de 10 de novembro próximo.

Madrid também foi palco de confrontos

Depois do anúncio da sentença, os independentistas fizeram cortes de estradas e de vias de caminho-de-ferro um pouco por toda a Catalunha.

Os acessos ao aeroporto foram cortados depois de ter sido conhecida a sentença, e alguns grupos violentos queimaram centenas de barricadas e procuraram a luta corpo a corpo com a polícia.

Das centenas de feridos registados nestes dias, 18 permanecem hospitalizados segundo as autoridades, um deles em estado muito grave, e mais oito com lesões oculares.

Em Madrid também em resultado de confrontos com a polícia após uma marcha de 4 mil pessoas que pedia a libertação de todos os presos políticos, 26 pessoas ficaram feridas, 11 delas da polícia.

Na Gran Via, os manifestantes pegaram em mobiliário de uma esplanada e atiraram contra os polícias, e um deles ficou ferido, segundo a agência noticiosa EFE.

A marcha foi organizada por mais de uma vintena de grupos de esquerda, que reclamava "amnistia para todos os presos políticos", com especial menção dos "políticos catalães", embora a marcha estivesse marcada "há muito tempo", disse a organização à EFE.

Também uma centena de jovens se concentrou este domingo na confluência das ruas Goya e Alcalá após uma convocatória de "jovens patriotas" sob o lema "Catalunha é Espanha", que a Polícia Nacional impediu de se dirigirem para onde estava a manifestação pró amnistia, para evitar confrontos.

Em Barcelona, três tribunais decretaram prisão preventiva sem fiança para seis dos detidos nos incidentes de sexta-feira na cidade.

O Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC) informou este domingo que os detidos foram acusados de vários delitos, entre eles de desordem e atentado.

Os juízes decretaram prisão para seis dos detidos e outros seis saíram em liberdade condicional com medidas cautelares.