Mossos d'Esquadra limitam-se a registar concentrações e são aplaudidos

As patrulhas da polícia catalã enviadas aos centros de votação com ordem para encerrá-los para impedir o referendo de hoje limitaram-se a registar as concentrações no local e foram-se embora, entre aplausos dos populares.

Enquanto isso, os milhares de agentes da polícia espanhola e da Guardia Civil que se encontram na Catalunha para garantir que o referendo sobre a independência, suspenso pelo Tribunal Constitucional, não se realiza, saíram das suas bases e dirigiram-se para as várias zonas da região autónoma antes da abertura das urnas às 09:00 (08:00 em Lisboa).

No total, cerca de 12.000 efetivos da Polícia Nacional e da Guardia Civil estão mobilizados na Catalunha.

Registaram-se momentos de tensão com as pessoas concentradas no exterior.

Os agentes da Polícia Nacional apareceram em pelo menos quatro pontos de votação de Barcelona, onde tentaram romper o cordão de pessoas concentradas frente às assembleias de voto para encerrá-las, como ordenou o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha(TSJC).

Em alguns locais ocorreram cenas de tensão e algum uso de força entre os populares e a polícia, equipada com material antidistúrbios, ainda não utilizado, como armas de balas de borracha.

Já os Mossos d'Esquadra, a polícia regional da Catalunha, têm-se limitado a fazer a ata das concentrações de pessoas que desde a primeira hora se encontram junto aos locais designados como assembleias de voto, seguindo o seu caminho sob os aplausos dos populares, como constatou a Lusa junto à Escola Rainha Voilant, no Bairro da Gràcia, em Barcelona, e a Efe em outros locais.

Os agentes, escreve a Efe, limitam-se a registar a situação, detalhando o número de pessoas concentradas e se entre elas há grupos vulneráveis como crianças ou idosos.

Os Mossos podem alegar quatro motivos para não cumprirem a ordem de encerrar as assembleias de voto: a recusa dos populares de desocuparem o local, a presença de pessoas vulneráveis, a possibilidade de se produzirem confrontos e a impossibilidade de aceder ao centro.

Embora os Mossos d'Esquadra tivessem ordem interna para desalojar os centros antes das 06:00 (05:00 em Lisboa), para cumprir uma instrução do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC), até este momento não foi realizado qualquer desalojamento nem foram apreendidas as urnas, que já começaram a chegar aos pontos de votação.

Centenas de eleitores, na sua esmagadora maioria pró-independência, começaram a formar filas em frente dos colégios eleitorais ainda de madrugada para evitar que estes fossem fechados pela polícia.

O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu, no início de setembro, como medida cautelar, todas as leis regionais aprovadas pelo parlamento e pelo Governo da Catalunha que davam cobertura legal ao referendo de autodeterminação convocado para hoje.

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