Catalunha desafia Rajoy com novo referendo

PP, socialistas, Ciudadanos e até o Podemos criticam voto sobre a independência catalã, ontem anunciado para 1 de outubro, com o apoio dos partidos Junts pel Sí e CUP

O presidente do governo da Catalunha, Carles Puigdemont, anunciou ontem um referendo sobre a independência catalã, a realizar no dia 1 de outubro. "Quer que a Catalunha seja um Estado independente em forma de República?" é a pergunta a que os eleitores são chamados a responder. Anunciado de forma unilateral, por não ter o aval do governo de Espanha, o referendo desafia Mariano Rajoy, que sempre foi contra a ideia. Em 2014, o antecessor de Puigdemont na Generalitat, Artur Mas, tentou fazer o mesmo. Mas falhou. Viu o referendo considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional espanhol. E apenas conseguiu organizar uma consulta popular sem qualquer valor vinculativo. Por causa disso, encontra-se a ser julgado em tribunal desde fevereiro deste ano.

Acusando o governo de Rajoy "de não querer participar numa solução real e profunda", Puigdemont apresentou a data e a pergunta do referendo aos deputados independentistas da Junts pel Sí e da Candidatura de Unidade Popular (CUP), uma vez que os restantes estão contra o referendo. O vice-presidente do governo autónomo catalão, Oriol Junqueras, foi mais longe ao acusar o Estado espanhol "de ter recusado já por 18 vezes que os catalães decidam o seu futuro, violentando os direitos democráticos elementares". Os deputados independentistas têm neste momento a maioria no Parlamento catalão, mas os partidos que defendem a separação da Catalunha têm vindo a cair nas intenções de voto, segundo os media espanhóis. Por isso, há quem defenda eleições autonómicas antecipadas já.

"Queremos uma ida às urnas de verdade, democrática, para ter um novo governo que queira unir e não separar", declarou Albert Rivera, líder do Ciudadanos, numa reação ao anúncio de Puigdemont. "É a mesma história do 9-N para tapar a corrupção dos 3%, o anúncio de uma não consulta, já que até Puigdemont e Junqueras sabem que não haverá referendo", prosseguiu, referindo-se à consulta popular de 9 de novembro de 2014 e aos casos de corrupção envolvendo personalidades de partidos que integram o governo catalão. Do lado do Podemos, Íñigo Errejón, secretário de análise estratégica e mudança política do Podemos, disse duvidar que "a isto se possa chamar referendo e que isto vá solucionar o problema da Catalunha".

Através do Twitter, Fernando Martínez-Maillo, coordenador-geral do Partido Popular de Rajoy, garantiu: "A resposta do PP é sempre a mesma: só há um marco legal, que é a Constituição. Não vai haver referendo na Catalunha." Para Íñigo Méndez de Vigo, porta-voz do governo de Rajoy, a Generalitat "deu um novo passo para uma estratégia cada vez mais minoritária, unilateral e radical". E recordou "a obrigação de cumprir a lei". Miquel Iceta, líder dos socialistas catalães, criticou o anúncio "pomposo" de um referendo "que não acontecerá" e que "não conduzirá a nada". A procuradoria-geral espanhola, indicou, por sua vez, que só agirá pela via penal quando for publicada "a convocatória oficial" do referendo para o dia 1 de outubro. Até lá, fez saber, pelos media, que considera que "tudo não passam de palavras".

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