Catalães rejeitam Orçamento e abrem a porta a eleições em Espanha

Primeiro-ministro espanhol deverá anunciar sexta-feira se antecipa ou não as eleições após a derrota no Congresso. Pedro Sánchez chegou ao poder com o apoio dos independentistas.

O Congresso espanhol aprovou seis emendas ao Orçamento de Estado e devolveu o texto ao governo de Pedro Sánchez, que face à derrota deverá anunciar na sexta-feira, após o Conselho de Ministros, a antecipação das eleições gerais que estavam previstas apenas para 2020. Apesar das tentativas de última hora do executivo, os independentistas catalães rejeitaram apoiar o Orçamento, diante da recusa de Madrid de abrir negociações sobre a autodeterminação da Catalunha.

As seis emendas foram aprovadas com 191 votos a favor, 158 contra e uma abstenção. Os independentistas catalães -- Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e Partido Democrata Europeu da Catalunha (PDeCAT) -- votaram ao lado do Partido Popular, do Ciudadanos, da Coligação Canária, do Foro Astúrias, da União do Povo Navarro e duas deputadas do grupo Unidos Podemos: a galega Alexandra Fernández, em confronto com os colegas do En Marea, e a catalã Marta Sibina, do En Comú, em protesto pelo bloqueio dos barcos de ajuda humanitária no Mediterrâneo (segundo a Europa Press).

Votaram contra as emendas o PSOE, o resto do grupo do Unidos Podemos, o Partido Nacionalista Basco e o Compromís, tendo o deputado da Nova Canárias, Pedro Quevedo, optado pela abstenção.

A votação obriga a devolver o texto do Orçamento ao governo, com várias fontes a indicar que o próximo passo de Sánchez será antecipar as eleições, inicialmente previstas apenas para 2020. O governo anunciou que a decisão sobre a convocação ou não de eleições será conhecida na sexta-feira, após o Conselho de Ministros. Os independentistas catalães tinham votado ao lado do líder socialista na moção de censura a Mariano Rajoy, há oito meses.

Sánchez deixou o Congresso sem prestar declarações aos jornalistas e, segundo indicaram fontes do governo, irá para o Palácio da Moncloa para continuar com a sua agenda.

Eleições são "inadiáveis"

O secretário-geral do PP, Teodoro García Egea, exige a Sánchez que "convoque eleições já".

O mesmo fez Pablo Casado, o líder do partido, "Depois de meio ano a exigir, é inadiável a convocação de eleições gerais", defendeu, lançando-se já na campanha: "As primeiras medidas que vamos pôr em marcha será aplicar a Constituição na Catalunha e trazer a esta câmara umas contas com uma política social responsável", indicou no Congresso.

Segundo os jornais espanhóis, as eleições podem ser antecipadas para 28 de abril, quase um mês antes das europeias, autonómicas e municipais que serão a 26 de maio. A mesma data é apontada por outros jornais espanhóis como sendo a preferida dos socialistas.

Casado disse aos jornalistas que o lógico seria que as eleições fossem a 26 de maio. "Que não se gastassem milhões de euros numas eleições quando haverá outras 20 dias depois", disse, lembrando contudo que a data depende de Pedro Sánchez.

Pressão independentista

Os independentistas catalães recusaram apoiar o Orçamento de Sánchez, exigindo a abertura de conversações sobre a autodeterminação da Catalunha em troca do seu voto a favor. Algo que o governo socialista recusou fazer.

"Perdemos uma oportunidade de diálogo, o PSOE teve medo e rompeu as negociações", disse o deputado Joan Tardà, da ERC, citado pelo El País.

Antes da votação, a esquerda fez uma última tentativa para convencer os catalães a votar a favor do Orçamento. A coligação Unidos Podemos, através do líder da Esquerda Unida Alberto Garzón, pediu para os independentistas reconsiderarem a sua posição, lembrando que o projeto de Orçamento é "político". E acrescentou: "Não percebo como deixar cair este Orçamento ajuda a causa independentista."

Já a porta-voz socialista, Adriana Lastra, aproveitou para atacar a direita, acusando-a de promover uma "concentração infame" na praça de Colón, no sábado em Madrid, "pela mão dos nazis (...) da Falange e da Vox". Em relação aos independentistas, disse que as suas exigências são "inadmissíveis".

"A esperança é algo muito poderoso. Mantemos a esperança de conseguir aprovar o Orçamento", disse a ministra das Finanças, María Jesús Montero, que até ao final ainda esperava uma mudança de opinião dos independentistas catalães.

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