Casos e mortes aumentam. Suécia admite que previsões sobre imunidade estavam erradas

A Suécia seguiu uma estratégia diferente de muitos outros países para enfrentar a pandemia na primeira vaga, baseada em recomendações, sem confinamento e quase sem medidas coercivas. Mas ao que parece não trouxe resultados.

O epidemiologista chefe da Suécia admitiu que a o país está a enfrentar uma segunda vaga de casos de coronavírus, depois de ter previsto que o número de infeções no outono seria "bastante baixo" devido à política de não contenção praticada no país na primeira vaga da pandemia e ao contrário do que aconteceu em todo o mundo.

"No outono haverá uma segunda vaga, mas a Suécia terá um alto nível de imunidade e o número de casos provavelmente será bastante baixo", disse Anders Tegnell ao Financial Times em maio. No entanto, os números mostram que a Suécia está a enfrentar números mais altos de infeções (mais de 4000 casos diários nos últimos sete dias), hospitalizações e mortes do que os países vizinhos, em proporção ao número da sua população.

A Suécia registou 4.658 novos casos de coronavírus na quinta-feira, de acordo com dados oficiais relatados pela Reuters, com os novos casos diários a aumentarem nas últimas semanas. Os internamentos também subiram dramaticamente, com mais de 1000 pacientes com covid-19 a serem tratados em hospitais, um aumento de 60% em relação à semana anterior. Os números foram divulgados pela emissora estatal SVT e citados pelo Guardian. A taxa de mortalidade por coronavírus na Suécia é agora uma das mais altas do mundo.

Andrers Tegnell, que se tornou conhecido por desenvolver a política anti-bloqueio da Suécia, admitiu esta semana que a Suécia está a viver uma disseminação significativa do vírus em todo o país. A agência de saúde pública da Suécia também reconheceu que o alto número de casos no país na primeira vaga não o protegeu na segunda.

O governo sueco recusou-se inicialmente a adotar medidas rígidas para combater o coronavírus, contando apenas com orientação voluntária para tentar conter a propagação de infeções. No entanto, o aumento de casos levou as autoridades a adotarem medidas mais duras nas últimas semanas, como proibir a venda de álcool em pubs e bares depois das 22:00.

Tegnell já disse esta semana aos suecos que o governo pode ser forçado a introduzir restrições de viagens em todo o país "pouco antes do Natal", segundo a BBC.

Stefan Lofven, primeiro-ministro sueco, que se confinou por precaução com a mulher após ter estado exposto a um caso de contacto com o coronavírus, qualificou a situação de "séria". A epidemia "evolui rapidamente no mau sentido", reconheceu o chefe do governo.

Na Suécia não se recomenda uso de máscara

A Suécia é dos poucos países a não recomendar o uso de máscara na luta contra a pandemia, nem mesmo em espaços fechados. O argumento é a falsa sensação de segurança que estas oferecem.

Apesar de os médicos já terem revelado preocupação com o aumento rápido dos contágios e, desde o início deste mês de novembro, também dos internamentos, as autoridades do país não recomendam o uso de máscara na luta contra a covid-19.

No país que desde o primeiro dia da pandemia recusou o confinamento e manteve um estilo de vida o mais normal possível, as várias regiões têm vindo, no entanto, a aumentar as restrições para tentar travar a segunda vaga. Os habitantes são aconselhados a limitar ao máximo os contactos e a evitar sempre que possível os transportes públicos, grandes superfícies comerciais e ginásios.

Não usar máscara é uma opção que vem de cima. Da família real, com o rei Carl XV Gustaf e a princesa herdeira Victoria a surgirem de rosto descoberto. O próprio primeiro-ministro Stefan Löfven tem surgido sem máscara no seu país, usando-a apenas quando vai a Bruxelas para os conselhos europeus, sendo nessa altura obrigado a seguir as regras em vigor na Bélgica.

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